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A alavanca do progresso Oscar de Menezes A Razão publicava em 15 de janeiro de 1963 Por incrível que pareça, há em certas criaturas a idéia de que devem trabalhar o menos possível e ganhar o máximo. Evidentemente, esse raciocínio é falso e o bom senso o repudia. Ganhar o máximo pelo trabalho honesto, pela produção, pelo desenvolvimento técnico, é o que todos deviam querer como objetivo certo para obtenção de maior capacidade e eficiência. Não se compreende produção sem trabalho, como é inaceitável que se tenha uma recompensa maior realizando o mínimo. Então, desapareceria o princípio de justiça, e todos se nivelariam, não havendo necessidade de esforço pessoal. Seria um incentivo à incapacidade, ou melhor, aos que menos produzissem. O indivíduo, por sua operosidade, inteligência e esforço, há que se destacar dos demais. Não pode ser medido pelo mesmo talão. Todos contribuem para o progresso da nação, mas uns apresentam maior soma de serviços, embora todos desempenhem papel relevante no enriquecimento e na melhoria do padrão de vida. Querer atingir o máximo sem esforço e energia, ou usando meios inadequados e escusos, é revelar pobreza de raciocínio e falta de moral. Deve-se querer progredir sim, mas pela capacidade própria, pela vontade de ser algo mais, sendo metódico, não exagerando para não se tornar um escravo das coisas materiais. É importante saber usar o produto do trabalho, no conforto próprio e da família, na ajuda aos seus semelhantes, nas obras sociais de benemerência. Tudo isso tem significado muito elevado, mas dispersá-lo futilmente, nos prazeres da matéria, é grave erro só aceito por insensatos e egoístas. O homem, vivendo do seu trabalho, tem satisfação e orgulho, confia em si mesmo, não é maldizente nem pessimista. Esforça-se para melhorar suas condições materiais, e com honestidade e valor enfrenta as asperezas da vida, sempre disposto a resolver os problemas que lhe surjam pela frente, sem demonstrar qualquer esmorecimento. Sabe que é trabalhando e lutando que pode vencer dificuldades, conquistar situação vantajosa, aperfeiçoar os dons naturais, obter a saúde exercitando os músculos e a mente. É, portanto, agindo ativamente que se consegue independência material e moral. A vida em si mesma é de ação constante, vibração, movimento e força. O espírito ganha valor pelo trabalho, ganha moral pelas ações nobres, honradas e verdadeiras. O comodismo, a displicência e a incompetência nada constroem. São como a ferrugem que emperra as engrenagens e impossibilita o movimento da máquina. Não há lucro verdadeiro e positivo, quando se ganha sem esforço, sem trabalho. Ganhar desonestamente não representa lucro real, é ganho aparente que pode esboroar-se a qualquer momento, porque é fruto de ações indignas e injustas. A melhor maneira de vencer é pelo caminho reto da produção e pela valorização do trabalho, que produzem o aprimoramento das condições físicas e mentais do homem. |
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