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A felicidade está em nós
Tharsila Prates Não há receita para uma vida feliz. No desespero, nem uma Wish Tree (a Árvore dos Desejos), idealizada por Yoko Ono, viúva do beatle John Lennon, resolve. Nada que possamos descrever aqui garante alegria e prosperidade.É preciso que nos conscientizemos de que a felicidade não está nas coisas – às vezes, nem nas pequenas. Está em nós mesmos. E é isso que nos faz enxergar beleza e graça nas pequenas coisas. Sabendo disso, devemos ter ousadia ou coragem para lidar com os problemas, criatividade para extrair da vida o que ela pode dar de melhor e interesse em nos aprimorarmos cada vez mais. Se nos pedissem uma definição, diríamos: felicidade é o que diz aquela velha expressão “poder colocar a cabeça no travesseiro e dormir em paz”. Isso não depende de as coisas darem certo. No nosso mundo ideal, pelo menos no da maioria das pessoas, tudo é belo e funciona perfeitamente. Também no mundo ideal, nunca estamos sozinhos. Nele, é melhor ser “cult” do que “caipira”. Além disso, o final feliz é obrigatório. Mas as coisas dão errado, e é por isso que temos a chance de aprender, e não é porque elas dão errado que vamos desistir da ideia de ser feliz. Não é porque pensamos de modo diferente dos outros que devemos nos culpar. OBRIGAÇÕES. O Racionalismo Cristão refere-se muito a felicidade relativa, isto é, a felicidade que os seres humanos podem alcançar no planeta Terra; aquela que é possível, respeitadas as circunstâncias e as obrigações que temos de cumprir, obrigações que são oriundas de nossos maus procedimentos em encarnações anteriores. Essas dívidas devem, pois, ser resgatadas e, muitas vezes, são incompatíveis com a tal vida certinha e florida, em que tudo anda em perfeita harmonia e em que há tudo do bom e do melhor. Está tocando nas rádios do país uma música do cantor e compositor nordestino Zeca Baleiro. A letra sugere uma série de alternativas para quem não tem o luxo e o conforto ao alcance. É só um exemplo, mas pode servir de inspiração para nos contentarmos com o que temos, exceto se for algo que possamos realmente alcançar. Vai aqui um trecho da letra: “Se não tem água Perrier, eu não vou me aperrear/ Se tiver o que comer, não precisa caviar/ Se faltar molho rosé, no dendê vou me acabar/ (…) Quem não tem Las Vegas vai no bingo de Irajá/ Quem não tem Beverly Hills mora no BNH/ Quem não pode, quem não pode Nova York vai de Madureira/ Se não tem Empório Armani, não importa; vou na Creuza costureira do oitavo andar/ Se não rola aquele almoço no Fasano, vou na vila; vou comer a feijoada da Zilá”. É melhor cuidarmos de cumprir com os nossos deveres e ser leais com o nosso semelhante. A compensação virá, acredite nisso. (A autora é jornalista,
frequentadora da Filial São Paulo, SP) |
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