A força de vontade

Thereza Freire Vieira

A força de vontade é que faz a pessoa andar, falar, movimentar-se; sem essa força, passará a pertencer ao reino vegetal, sem a sua maior vantagem, que é oxigenar o ambiente. De certa forma, todos os nossos sistemas e aparelhos também têm força de vontade, pois, mesmo sem a nossa própria vontade, eles funcionam.

Nossa vontade, porém, é que nos faz andar, movimentar-nos, sentir dor.
Há fatos no dia-a-dia que podem levar o indivíduo a perder a vontade e parar de reagir, de tomar atitudes. A morte de um parceiro, a perda de um filho, a perda de um lar, que é obrigado a deixar para viver em casa alheia ou mesmo numa instituição para idosos são fatos que, quando acontecem, podem levar um ser humano a apagar-se, a ser quase um vegetal.

Há pessoas que se encontram em uma casa de idosos levados pela família porque não queriam alimentar-se, cuidar de sua higiene pessoal. Há verdadeira mudança quando orientadas por um psicólogo, acordadas por um acontecimento que as faça ressuscitar ou levantar-se da sua anulação, e voltam a todas às atividades normais de um ser humano. Elas haviam perdido a sua força de vontade. O importante é compreender que cada ser humano vive a sua própria vida e ninguém tem o direito de anular-se porque um elemento que tanto amava se foi, ou porque um aborrecimento ou algo desagradável a fez perder a vontade de viver.

Ninguém tem esse direito. Cada pessoa responde por sua vida física e deve vivê-la até o fim e da melhor maneira possível.

(A autora é médica geriatra)
 

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