A mulher com o balde de leite

Esopo

Uma jovem leiteira, que acabara de coletar o leite das vacas, voltava do campo com um balde cheio, balançando graciosamente na sua cabeça.

E, enquanto caminhava, feliz da vida, dentro de sua cabeça, os pensamentos não paravam de chegar. E consigo mesma, alheia a tudo, planejava as atividades e os eventos que imaginava para os dias vindouros.

“Este bom e rico leite”, ela pensava, “me dará um formidável creme para manteiga. A manteiga eu levarei ao mercado e, com o dinheiro, comprarei uma porção de ovos para chocar. E como serão graciosos todos os pintinhos ao nascerem. Até já posso vê-los correndo e ciscando pelo quintal. Quando o dia primeiro de maio chegar, eu venderei todos e, com o dinheiro, comprarei um adorável e belo vestido novo. Com ele, quando for ao mercado, decerto serei o centro das atenções. Todos os rapazes olharão para mim. Eles, então, virão e tentarão flertar comigo, mas eu imediatamente mandarei todos cuidarem de suas vidas!”

Enquanto ela pensava em como seria sua nova vida a partir daqueles desejados acontecimentos, desdenhosamente jogou para trás a cabeça e, sem querer, deixou cair no chão o balde com o leite. E todo o leite foi derramado e absorvido pela terra. Com isto, se desfizeram a manteiga, os ovos, os pintinhos, o vestido novo e todo seu orgulho de leiteira.

Moral da história: não conte seus pintos quando sequer saíram das cascas, ou seja, não pense alto ou longe demais antes de ver concretizado o primeiro passo.
 

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