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obra da vida, altos e baixos
Heloísa Ferreira da Costa Quando não compreendidas as adversidades, vem a depressão, a irresistível vontade de permanecer prostrado Os planos que fazemos para a vida nem sempre obtêm êxito. A vida é como uma roda gigante, uma hora está em alta, outra está em baixa, alternando-se nesses níveis para nos dar as lições que precisamos ter e, como está explicado no livro Prática da Doutrina Racionalista Cristã, nem sempre compreendemos os fatos no momento que acontecem, mas os compreenderemos mais tarde, se assim o quisermos; às vezes não entendemos algo por um simples detalhe. Analisando o viver percebemos que sempre está faltando algo a ser alcançado, uma aresta a ser aparada para nos sentirmos completos. Sentimo-nos sempre frustrados em alguma parte de nossa vida, ou seja, incompletos, desapontados. A obra da vida parece nunca se completar. A felicidade parece uma meta impossível: se temos saúde, falta dinheiro; se temos dinheiro, falta amor; se temos ‘tudo’, falta paz! Só podemos alcançar a felicidade parcial, e o cumprimento dos deveres espirituais é um grande passo em direção a ela. Felicidade é o equilíbrio entre as vidas material e espiritual, que não se juntam, mas também não se separam. Existem momentos, quando nossos objetivos malogram, em que ocorre, como um primeiro impulso, revolta; a segunda reação é debatermo-nos, como um peixe que caiu do aquário; o terceiro é ainda pior, crise existencial, todos sofremos neste mundo de aperfeiçoamento. Quando não compreendidas as adversidades, vem a depressão, a vontade de deitar na cama e de lá não sair mais. Vestir a carapuça de coitadinho é o que mais fazemos, e, claro, atribuindo a culpa a uma injustiça superior. "Não existe drama na vida de um homem sensato" (Maeterlink). Tristeza é bem diferente de depressão. A tristeza é passageira e existe para nos ajudar a adquirir consciência de que há uma dor em nós. Só quando percebemos a dor é que podemos agir no sentido de transformá-la. Assim, a tristeza traz informações e sempre nos pede algum tipo de transformação. Frustração significa desapontamento, algo que não chegou a desenvolver-se, ou que se desenvolveu e acabou. Como é difícil aceitar essas situações! Ficamos apegados a algo ou alguém que passou, quem olha para trás só vê a própria sombra, nada mais. Não lamente erros e deslizes do passado, mas tenha consciência deles, para não os repetir no presente e no futuro. O esquecimento é importante quando as coisas que vêm ao pensamento são prejudiciais. A arma para sair dessas armadilhas da vida está no pensamento. Somos vítimas dos nossos pensamentos porque nos escravizamos a eles. Por isso é preciso educar os pensamentos, o que só é possível com treino – para aprender a correr é preciso preparar o físico, para aprender a viver é necessário treinar o espírito. As emoções desagradáveis nos abatem, as agradáveis nos curam, é preciso substituir emoções más por boas, é preciso termos convicções sérias para não cairmos nas artimanhas do mal, colocando-nos sempre em guarda contra as investidas. O que acontece não tem o poder de produzir felicidade ou infelicidade. É a nossa maneira de reagir às circunstâncias que cria em nós sentimentos positivos ou negativos. "Sempre que migramos para uma percepção em nível superior ao anterior, contemplamos o passado em condições diferenciadas de análise, e isso evidencia para nós as ilusões e distorções que nos moviam anteriormente" (Carlos Hilsdorf). Olhando para trás podemos ver na vida passada quantas vezes ela foi moldada por acontecimentos alheios à nossa vontade. É necessário conservar a resignação feliz ante o inevitável. Devemos viver tentando completar o que julgamos faltar, mas é necessário sabedoria para aceitar o que não pode ser mudado. Não devemos ficar lamentando os insucessos. Se as coisas não são como gostaríamos que fossem e nada há para ser feito, é preciso resignação. Não podemos deixar a imaginação assumir as rédeas quando existem problemas e inquietações, a imaginação é boa serva, mas péssima senhora. Alguns itens devem ser seguidos para buscarmos o equilíbrio na vida: - Atividade física regular - Atenção à alimentação - Manter a distância os fatores de estresse - Autoconhecimento - Amor - Espiritualidade e - Disciplina (Abílio Diniz). Procure ver seus problemas com os olhos do espírito. Aperfeiçoe-se física e intelectualmente, o segredo para acrescentar vida à vida reside dentro de cada um. É preciso parar de reclamar, somos apenas mais um ser humano que não conseguiu preencher todas as suas expectativas, mas o que sabemos é uma gota d'água, o que ignoramos é um oceano, nosso dia não se acaba ao anoitecer e, sim, começa sempre amanhã, descubra a si mesmo e ao mágico poder da sua mente e terá descoberto um novo mundo. (A autora é militante da Filial Marília, SP) |
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