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A questão social
Humberto Machado Rodrigues A Razão publicava em 15 de janeiro de 1953 Ao analisarmos a tremenda crise de ordem financeira e moral por que passa a humanidade, ao observarmos os dilemas angustiosos que acompanham os inúmeros problemas do mundo atual, sentimos de modo insofismável a precariedade dos alicerces da nossa sociedade moderna. Façamos um ligeiro retrospecto através da história dos povos e encontraremos a questão social dominando sempre, em todas as manifestações de descontentamento do gênero humano. Para a solução dos magnos problemas sociais, principalmente no que concerne ao terreno econômico, inúmeras doutrinas, vastíssimas concepções filosóficas, incontáveis divagações de caráter especulativo têm sido feitas e nada de positivo surgiu até hoje nesse emaranhado de controvérsias. Desde os primórdios da civilização, desde quando começaram a se fazer sentir as relações sociais entre os homens, no intercâmbio comercial, nos entrechoques das diferentes formas de usos e costumes, notamos esse descontentamento entre os povos. Atualmente, tais problemas assumem maiores proporções, observando-se na inquietude reinante acontecimentos decisivos para o futuro do mundo. Como doutrinas mais recentes encontramos as de caráter extremista, provindas indiscutivelmente das perturbações do organismo social. E todas essas doutrinas e filosofias nada solucionam, nada resolvem. A humanidade permanece, e permanecerá talvez por muito tempo, entregue aos seus problemas, considerados por muitos como insolúveis, enquanto houver a predominância dos debates estéreis, enquanto a maioria caminhar no sentido materialista, enquanto, enfim, todos não chegarem à conclusão de que, sem uma concepção espiritualista de vida, não pode haver harmonia e paz entre os povos. Analisando-se as doutrinas que têm surgido desde a Antiguidade até nossos dias, constatamos mediocridades em grande parte, excetuando-se algumas, que apresentam algo aproveitável, mas notamos que qualquer coisa lhes falta, embora seus codificadores, muitos deles bem intencionados, tenham se esforçado ao máximo para fornecer fórmulas capazes de resolver as importantes questões que assoberbam a sociedade. Alguma coisa lhes falta, justamente porque não caminham no sentido espiritualista. Nisto reside o fator principal que determina a incapacidade dessas mesmas doutrinas em resolver a complexa questão social, bem como as demais existentes. Além do fator citado, muitos outros existem. Como pode haver tranqüilidade no planeta Terra, a tão almejada harmonia entre os povos, a solução para o problema social, se os seres humanos estimulam pensamentos de malquerença, de ódio e inveja, se o egoísmo predomina? Adquiríssemos todos a noção de uma verdadeira espiritualidade, praticássemos uma sã moral, acatássemos ensinamentos esteados em princípios altruístas e ruiriam por terra os problemas da questão social, não havendo necessidade das vastíssimas divagações filosóficas, porque todos se compreenderiam e saberiam cultivar a solidariedade humana. |
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