A Razão chega aos 90 anos

Gilberto Silva

Mantendo os ideais dos fundadores

No dia 13 de setembro de 1916, com o nome de Sociedade Anônima A Razão, através de uma Assembléia Geral de Constituição, nascia o nosso jornal A Razão. A nova empresa, presidida por Luiz Alves Thomaz, tendo como tesoureiro Luiz de Mattos e como secretário Francisco Pereira, cumpria todos os trâmites legais – depósito de uma quinta parte do capital social no Banco do Brasil e outra no Tesouro Nacional, registro na Junta Comercial e demais procedimentos burocráticos – para que, a 19 de dezembro, uma terça-feira, fosse impresso em oficinas próprias o primeiro jornal de uma longa e vitoriosa série que chega a 2.521 edições.

Nesses 90 anos, mesmo com os percalços vividos, A Razão vem cumprindo de forma extraordinária o papel de porta-voz do Racionalismo Cristão. Por suas páginas, Luiz de Mattos, seu idealizador, em conjunto com Luiz Thomaz, manifestou toda sua força espiritual e mostrou, sem descanso, aos seus leitores os Princípios espiritualistas divulgados pelo Racionalismo Cristão.

O reconhecimento da sociedade elevou A Razão à condição de um dos três jornais de maior circulação no País, mas pelo período de 16 anos sua publicação esteve suspensa. Quando voltou a circular, adotou a periodicidade mensal. O motivo dessa longa ausência foi a improbidade de um cidadão a quem havia sido confiada a direção do Jornal. Com isso, ele frustrou temporariamente um projeto que vinha se mostrando de fundamental importância para a sociedade brasileira. Haja vista a luta empreendida por Luiz de Mattos em defesa dos direitos sociais e contra a corrupção, dentre tantas bandeiras levantadas por esse intimorato jornalista.

Os amigos atribuíram a esse lamentável episódio a causa da desencarnação de Luiz de Mattos, pois oito dias após a interrupção da circulação do jornal ele já havia perdido dez quilos e tomou-lhe a diabetes. Luiz de Mattos desencarnou a 15 de janeiro de 1926. Hoje, refletindo sobre a história, analisando os fatos que geraram esse acidente de percurso, me pergunto: teria esse desonesto cidadão agido sozinho ou estava a serviço de outros interesses? Mas o que importa isso, hoje? Absolutamente nada. Ficou o exemplo! Tanto é verdade que sempre ouvimos do mestre Antonio Cottas: "nos negócios, é confiar, desconfiando sempre". Era um alerta para sermos cautelosos. Sábia lição!

Felizmente, graças à tenacidade e persistência de Antonio Cottas, A Razão voltou a circular. Durante 46 anos sob sua orientação, o jornal readquiriu o respeito dos leitores pela sua qualidade editorial, sua linha de conduta e o retorno aos ideais que o caracterizaram desde sua fundação. Voltando-se também, como seria natural que o fizesse, para as notícias da grande família racionalista cristã, que crescera vertiginosamente. Desta fase, lembramos-nos do nosso querido amigo e Mestre Pompeu Cantarelli, correspondente de A Razão em São Paulo. Ele acompanhava Antonio Cottas a todos os eventos racionalistas cristãos e, deixando de participar de almoços e jantares, próprios nessas ocasiões, recolhia-se nos hotéis para redigir suas belíssimas e sempre apreciadas reportagens.

Não diferente foi a linha de conduta de A Razão a partir de 1983, sob a orientação do dr. Humberto Machado Rodrigues. Exigente, criterioso, minucioso, imprimiu ao jornal uma característica global, devido à própria internacionalização do Racionalismo Cristão, que ganhou mais corpo ainda em sua gestão à frente da Doutrina.

Agora, um reconhecimento e um preito de gratidão àqueles que, ao longo das últimas décadas, souberam honrar e dignificar a convocação feita pelos nossos Antonio Cottas e dr. Humberto Machado Rodrigues e dirigiram o nosso Jornal A Razão com dedicação e probidade. Foram eles: Emir Nunes de Oliveira, João Baptista Cottas, Nelson Nunes de Oliveira, Orlando José da Cruz, Joaquim Pereira da Costa, Clecy Ribeiro e João Baptista Cotas Gomes.

Hoje, o nosso querido jornal A Razão, acompanhando os avanços tecnológicos nas comunicações, está totalmente disponível na Internet. Editorialmente, cada vez mais científico-espiritualista. Conta com a colaboração de excelentes articulistas que versam sobre os mais variados temas, tais como: saúde, educação, ciências, história, alimentação, políticas nacional e internacional, cultura, lazer, poesia etc, tornando-se um jornal eclético e diversificado.

Com relação à organização A Razão - Empresa Jornalística Ltda, os acontecimentos do passado ainda calam fundo em nossas almas, orientando nossas decisões. Somando-se essa cautela com a perspicácia e competência do seu último dirigente, João Baptista Cotas Gomes, temos hoje uma empresa sólida, bem estruturada e financeiramente independente. Isto proporcionou condições para realizarmos, este ano, o sonho dos racionalistas cristãos, com a inauguração da nossa emissora de rádio A Razão. Com os mais modernos equipamentos e tecnologia, totalmente custeados com recursos próprios, a rádio A Razão transmite sua programação, via web 24 horas do dia, a partir do Estúdio Felino Alves de Jesus.

Então, amigo leitor, para comemorarmos esses 90 anos de lutas e vitórias, renovamos o compromisso de manter os ideais dos Mestres Luiz de Mattos e Luiz Thomaz, cujos honrados nomes unem-se como fundadores, a partir desta edição, na capa do nosso jornal e, permita-nos agora, com a prestimosa participação dos nossos colaboradores e anunciantes, presenteá-lo com esta edição histórica. Boa Leitura!

(O autor é vice-presidente do Racionalismo Cristão)

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