A Razão

Emir Nunes de Oliveira 

A Razão publicava em 8-12-1937

Ressurge A Razão após longo interregno, em condições diversas das que desejávamos. O matutino noticioso, político, combativo, perfeito em todas as seções de jornal moderno, extenso e vibrátil é sucedido pelo mensário, de natureza obrigatoriamente diversa. Faremos experiência, ao tempo que aproveitamos o momento para colaborarmos tanto quanto possível na obra da reconstrução nacional, ora empreendida pelos dirigentes do País.

Repelindo como impossível o insucesso, a tanto nos leva a coragem e o desejo de vencer, entrevemos para amanhã e hebdomadário e, em breve prazo, vigoroso e estuante de entusiasmo o diário, nos moldes do passado.

Belo sonho que, Oxalá, seja em breve realidade!

Desaparecida do cenário dos vivos as principais figuras que ilustram A Razão, assume a direção gente nova, porém identificada nos mesmos ideais, propondo-se palmilhar a senda traçada por Luiz de Mattos, seu ardoroso fundador.

Nome tutelar, figura de sábio e de místico, de literato e polemista, de patriota e filantropo, Luiz de Mattos, continuará vivendo nesta folha pelo exemplo e recordação de suas virtudes.

Trabalhar e lutar por tudo que fosse nobre e altruístico, objetivando a melhoria material e a elevação espiritual dos seus, era o programa de Luiz de Mattos.

Esse o programa da A Razão.

A conformidade da nossa diretriz de hoje é assim perfeita como a de ontem.

Falta-nos a pena entusiasta, fulgurante e por vezes cáustica de Luiz de Mattos, mas acordem-nos seus ensinamentos.

Os 1644 edições da A Razão publicada ininterruptamente de 19 de dezembro de 1916 a 30 de junho de 1921 constituirão nosso manual de jornalismo, e nos artigos cotidianos de seu ilustre fundador encontraremos a fidelidade aos princípios, o amor à verdade, o desassombro de atitudes e o espírito de sacrifício tão necessário aos que se propõem lutar por um ideal e... pelos outros.

Pugnaremos por são nacionalismo, o que intencionalmente destacamos porque o nosso ilustre fundador era português de origem, e assim convém que este jornal precise nessa parte sua diretriz – Não se cuide, porém, que renegamos o mestre. Não! É ainda seu exemplo que frutifica.

Embora nascido em Trás-os-Montes, porque veio para o Brasil criança, aqui viveu sem interrupção até a morte. Luiz de Mattos amou estremecidamente nossa Terra e, nacionalizado brasileiro, foi extremado nacionalista, no melhor sentido da expressão.

Como dedicado brasileiro cuidou dos interesses do Brasil, escreveu sobre comércio, navegação, a valorização do café e suas inconveniências, e inúmeros assuntos de palpitante interesse nacional, não havendo exagero em afirmar que a luta mais árdua travou em prol do Brasil.

Invectivando erros, fustigando personalidades, envolvendo-se em polêmicas gigantescas, teve sempre em mira o bem nacional e se, por vezes, suas expressões são candentes e as arremetidas excessivas, jamais teve expressões para a Terra que o acolheu que não fossem de ternura e de maior elevação.

A carreira jornalística de Luiz de Mattos é o seu melhor diploma de nacionalidade brasileira.

Dedicando-se ao Brasil, ao jornalismo sem objetivo pecuniário e, antes, com sacrifício de sua fortuna pessoal, a quem senão aos brasileiros dedicou Luiz de Mattos o melhor de seu esforço e inteligência?

Queria Luiz de Mattos instruir, esclarecer e elevar o povo.

Não discutamos sobre os meios empregados nem sobre o acerto de suas idéias, indague-se simplesmente a qual povo destinou seu esforço filantrópico.

Ao povo brasileiro deu Luiz de Mattos todo o seu trabalho e dedicou sua inteligência no período mais brilhante de sua vida. Ganhou esforçada e honestamente direito de cidadania.

Companheiros da A Razão, com os olhos postos no grande cidadão, firmes nas tradições desta folha, estimulados pelo amor ao Brasil, avante!

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