|
A realidade é o caminho
Oscar P. de Menezes
Publicado em 20 de março de 1965
Vive-se numa época de apego às fórmulas feitas, ao apelo da propaganda, ao
palavrório vazio e sem substância, que atendem a interesses subalternos aos
quais criaturas se amoldam sem qualquer exame, como uma contingência
inapelável na solução dos problemas. Dentro desse esquema, o raciocínio não
trabalha, há como que uma acomodação, de vez que não há discordância a
coisas que a razão e a moral não justificam.
Os homens giram em torno de interesses, sem olhar consequências, atrelados
que estão ao carro das convenções, àquilo que já perdeu o colorido, por não
atender à evolução dos tempos, e está a exigir melhor compreensão. Mas o
hábito de repetir fez a natureza humana insensível à boa solução dos
problemas: são os mesmos de ontem a tecer a mesma teia, ficando num beco sem
saída para tantos desmandos que praticaram, incapazes de uma reformulação em
bases concretas, racionais e justas. Não querem verdadeiramente estudar as
questões e equacioná-las em termos coerentes, pois se habituaram a
enxergá-las com lentes de dupla visão, quando não comportam medidas
bilaterais.
Tudo isso, não há dúvida, tem uma razão, que é somente conhecida por quem se
coloca num ângulo visual receptivo à luz da verdade, muitas vezes ofuscada e
truncada por falta de discernimento.
Até quando os homens continuarão agarrados a falsos princípios e à aparência
de comediantes? Por que não procuram dissipar as trevas que os envolvem,
atidos a mentiras convencionais? Será tão difícil encarar a realidade? Ou
melhor, ignorá-la?
É preciso que despertem dessa letargia, enveredem por caminho seguro,
verdadeiro e insofismável que lhes esclareça a razão e o entendimento, para
que não sejam eternos ignorantes da sua própria razão de ser, da sua
essência e dos seus deveres neste mundo. Poucos se têm libertado das falsas
concepções, dos preconceitos, da falsa moral, por lhes faltar autoridade
para reconhecer os próprios erros. Muito se tem ensinado, porém, em bases
ocas, falsas, sem substância real, que não oferecem coerência de raciocínio
nem estabilidade.
Um dia a luz dos verdadeiros conhecimentos há de chegar e brilhar
intensamente para todos, quando não se deixarem arrastar para o campo do
materialismo, e se tornarem seres conhecedores dos porquês das coisas e
viverem racionalmente. Até lá o caminho é áspero e íngreme, eivado de
espinhos, mas será transposto pelo combate à ignorância, causa de todos os
males que assediam a humanidade. O que nos parece impossível hoje, amanhã
será uma nova aurora, que há de tornar o homem consciente e senhor de si
mesmo.
Cairá sem dúvida tudo que não tenha apoio na verdade e na ciência, pois a
história nos está demonstrando com exemplos a queda daquilo que foi
estruturado em bases inseguras e falsas.
Página principal | Arquivo |