A Razão publicava em 15 de dezembro de 1938
Não podendo aliar-se ao
meio
em
que vive, o
homem,
progressivamente, tem a preocupá-lo o
eu, a
família, a
cidade e a
pátria. Ao
lado das cogitações de
ordem
econômica e
física, o
obsedante
cuidado
pelo
porvir
que gera o
interesse
pela
coisa
pública. O
homem
que
luta
pela
própria
subsistência e de
sua
família, a
menos
que seja
um
bruto,
forçosamente tem os
olhos na
pátria,
que
lhe garante a
segurança de
seu
esforço, e na
comunidade,
que
lhe deve
respeitar a
pessoa, a
família e os
bens.
A perplexidade a
que
nos levam os
desatinos de
que somos
testemunhas, neste
obscuro
século da
eletricidade e do
rádio,
desatinos
sociais,
desatinos
políticos,
desatinos
contra a
humanidade, deve
cessar ao considerarmos as
verdades
que
em
princípio enunciamos.
A
aparente
insegurança
social dos
dias
que correm, o
desejo
louco de
mutações, as
experiências ideológicas no
terreno
político,
que
tanto
nos intranquilizam e desanimam, devem
desaparecer e
reflorir a
esperança de
dias
melhores, continuando o
homem
sua
ação – na
conquista do
ideal de
progresso
que
lhe é
próprio.
Considerando
como passageiras todas essas perturbações, é
possível a
cada
indivíduo
contribuir
para
que se reduzam aquelas ao
mínimo, norteando
sua
ação
individual, de
modo a
funcionar
como
partícula
útil ao
todo
social.
Imaginemos
que,
diante de
determinada
insegurança,
mais
aparente do
que
real, entendesse a
maioria de
um
povo
aguardar
inerte o
desenvolvimento de uma
crise
política. Cessada esta,
pois é das próprias
contingências humanas a transitoriedade, sic
transit – é
bem de se
prever o
estado de
pobreza e
lassidão consequente.
Sempre
que
em
ação formos tentados a
desistir,
ou
simplesmente
diminuir
nossa
atividade, consulte-se o
que
nos pareça o
dever. Se
nos indica
ação
rápida e perseverante, se a
razão
nos diz
que os
dias
vivazes da
juventude correm
rápidos e o
poder do
homem
realizar é limitado, se
sobretudo o
trabalho é uma
necessidade
tanto
física
como
espiritual,
tudo
nos aconselha e recomenda a
atividade
sem
esmorecimento,
ininterrupta.
Pondo de
lado
prejuízos, desprezando
ideologias
convencionais, deixando as
questões
transcendentes
para
aqueles
que têm o
dever de resolvê-las e dedicando-se
tão
só ao
trabalho
positivo e
útil
que
suas
habilitações,
posição
social,
força e
cultura
lhe permitem, terá
um
indivíduo conseguido tranquilidade.
Facultando-lhe a
formação
moral,
ação
ligada aos
interesses
coletivos e
desprendimento
capaz de
alienar uma
parte de
seu
esforço
em
prol do
próximo, terá
então
chegado ao
máximo de
felicidade
possível, neste
mundo
imperfeito e
desigual.
Todos ouvimos diariamente
referências à intranquilidade
reinante,
sem
que venha o
conselho
para
esse
mal do
espírito.
Trabalho
ou,
em outras
palavras,
ação perseverante –
eis o
remédio
heróico e
infalível.
Efetivamente, se ao
invés de
preocupar o
espírito
com
hipóteses e cogitações
para as
quais
não tem e muitas
vezes
não pode
imaginar
solução,
cada
qual trace
racionalmente os
limites de
seu
dever, considerando
em
primeiro
lugar
suas
obrigações
para
com a
família e o
próximo,
dever
que
leva
sempre ao
trabalho e à
dedicação,
bem podemos
conceber
quanto
nos aproximaremos das
sociedades utópicas
que Platão Campanella e Thomaz Moore
imaginaram.
Não pense,
porém,
que preconizamos o
descaso
pela
coisa
pública, a
indiferença
pelo
Estado,
não.
Apenas indicamos
um
meio
racional e
eficiente,
melhor diremos uma
ação
automática,
para
servir àquelas
altas
finalidades.
O
indivíduo
que
trabalha
em
qualquer
mister
útil, servindo-se, serve à
coletividade e realiza
sua
função
social automaticamente, tendo
consciência do
cumprimento do
seu
dever.
Tanto
basta
para
que obtenha tranquilidade de
espírito e a
fortaleza
necessária aos
embates da
vida.
Nosso
dever é o
trabalho,
inteligente, esforçado,
voluntário, colimando o
bem
próprio e o
social –
nossa
ação
nos levará ao
progresso e ao
bem-estar.
Eis
todo
um
programa
para o
novo
ano de 1939 e
para
sempre.
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