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Álcool e violência doméstica Tharsila Prates Estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) realizado em 108 cidades brasileiras com mais de 200 mil habitantes no ano passado veio comprovar o que pesquisadores acreditavam: o álcool é a droga mais associada à violência. Em metade dos domicílios pesquisados, a violência doméstica ocorreu com o agressor alcoolizado e, pior do que isso: a violência foi maior e mais severa nesses casos. Brasileiros entre 12 e 65 anos, de 7.939 famílias do país, responderam a um questionário, que visou a fornecer dados para a descrição de situações de violência doméstica ocorridas sob efeito do álcool em comparação a situações de violência sem o uso da bebida. Em 35% das casas visitadas, ocorreu algum tipo de violência doméstica. Em metade desses lares onde houve violência (17,4% dos locais pesquisados), o agressor, na maioria das vezes homem, estava embriagado. Nesse contexto, a pesquisa permitiu verificar que "proporções significativamente maiores de todos os tipos de violência ocorreram nos domicílios onde o agressor estava alcoolizado, com exceção de bronca/discussão e furto (veja quadro ao lado). A proporção de ameaças de quebrar objetos da casa, agressão física e agressão com uso de objetos foi duas a três vezes maior entre os domicílios com agressor embriagado. As agressões com uso de armas também ocorreram em proporção maior entre os domicílios com agressor alcoolizado, tanto em ameaças (3,4 vezes maior) quanto as que ocorreram de fato (dez vezes maior). O abuso sexual, tanto a ameaça quanto a consumação, ocorreu em proporção cerca de quatro vezes maior nos domicílios com o agressor alcoolizado", diz o estudo. EXPLICAÇÃO. O psicólogo Arilton Martins Fonseca, mestre em Ciências pela Unifesp e autor da pesquisa, tem uma explicação para o fato: “O álcool rebaixa a crítica do indivíduo e potencializa a sua agressividade”. Segundo o pesquisador, não havia no país um estudo que relacionasse cientificamente o uso do álcool à violência doméstica e, por isso, defendeu o tema na sua tese de mestrado pela Unifesp. Arilton Fonseca considera que, devido à gravidade da situação, o problema não é privado, mas sim de saúde pública. “O álcool é uma droga bifásica. Primeiro, deixa a pessoa solta, desinibida, e com isso a agressividade aflora e ocorre a violência”, afirma o pesquisador. Segundo ele, a violência perdura por anos a fio numa família sem que a vítima ou o agressor procurem ajuda. O medo e a vergonha são os maiores obstáculos para o não enfrentamento da questão. Não é de hoje que o Racionalismo Cristão e as autoridades de saúde do país e do mundo alertam sobre os perigos da bebida. À luz da nossa Doutrina, o indivíduo deve ter consciência do seu vício e deixá-lo de uma vez por todas, amparando-se na força de vontade e no acompanhamento médico. Não se pode viver fazendo mal a si mesmo, contraindo débitos pesados e fazendo mal a quem se ama. Por enquanto, o que se tem, porém, são os números assustadores da pesquisa e os vários relatos, todos tristes, de quem enfrenta o problema. Dados da pesquisa:
*Em porcentagem **Soco, tapa, empurrão ***Armas de fogo e/ou branca
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