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Alma: cidadã do Universo Carlos
Alberto Yates
Ao desprender-se, ainda totalmente involuída, da Inteligência Universal a
partícula de Força inicia um caminho de trabalho e aperfeiçoamento
constantes. Ao ingressar no átomo passa a servir ao Universo, e às
partículas mais evoluídas, como matéria-prima na confecção de mundos,
objetos e corpos físicos. Esta jornada se estende às espécies vegetais e
animais, quando já passa a atuar como força ordenadora dos corpos destes
seres. Trabalha a partícula incessantemente nos mundos sempre sob a égide
das leis comuns e naturais que a tudo ordenam mantendo o fluxo evolucionário
em uma só direção.
Um dia, essa partícula evoluí o suficiente para coordenar por si própria
suas decisões no seu caminho evolutivo. Entra em cena a capacidade de
orientar-se a partir dos 11 atributos, que deverão ser dirigidos dentro de
um espaço denominado de livre-arbítrio. Finalmente, a partícula dá um grande
salto em sua ininterrupta trajetória e assume-se totalmente responsável por
seus atos ao vislumbrar-se na condição de espírito.
Começa então uma nova, mais abrangente e delicada fase evolucional. Aquela
força, até então um tanto embrutecida, já raciocina e delibera, já questiona
e aprende, já decide e age, não mais cegamente, mas já, ainda que
parcamente, iluminada pela visão da inteligência e a consciência do bem e do
mal.
Claro que este início é árduo, todo início em novas funções assim o é, bem
sabemos. Mas já na primeira categoria espiritual, na sua primeira encarnação
começa o novo aprendizado. Primeiramente em contato direto com a natureza,
de onde ela emergiu, no convívio com animais ditos irracionais para que a
mudança não seja tão drástica e o despertar se faça contínuo, porém, sem
causar grandes choques.
DESENVOLVIMENTO. Ainda absorta com um convívio totalmente imerso nas lides
rudimentares primitivas, a alma começa o desenvolvimento de suas capacidades
analíticas, a conhecer o desdobramento da vida no lado bom e no lado mau.
Tudo isso ela vai, no decorrer dos séculos de reencarnações consecutivas,
memorizando e processando, ora vagamente, quando anima um corpo, e ora mais
intensa e claramente, quando desencarnada em preparação no seu mundo de
estágio. E vai aprendendo e aumentando o seu cabedal e este, à medida que
cresce, lhe desenvolve cada vez mais o potencial de fazer o certo, de fazer
o bem, de perscrutar o sentido do próprio viver e vislumbrar decisões cada
vez mais corretas, conforme cresce a luz dentro de si.
Nas primeiras categorias espirituais, sabemos, a natureza é a mestra,
depois, conforme evoluí e passa a conviver em meio mais civilizado, o
espírito adquire, por meio do convívio com a sociedade, a sua sabedoria, que
de início é muito pouca, e aí as coisas se complicam, pois a tendência é
perderem-se inúmeras reencarnações, com grande soma de débitos. O espírito,
porém, tem força, tem determinação e quer evoluir, anseia pelo progresso que
lhe dará direito a galgar mundos de maior evolução. E atira-se à luta, ao
sacrifício dos resgates dolorosos, à batalha de ajudar a transformação para
melhor do mundo em que escolhe para reencarnar. A atividade é intensa, o
querer é imenso e a determinação é clara. Nesta fase o espírito já passa a
ter uma definição mais nítida do que seja a vida, sua função, seu
desdobramento e sua necessidade. Passa a ver a si próprio como um operário
do grande movimento evolucionário sideral e eterno.
VITÓRIA. Finalmente, atilado e totalmente desperto, consegue a suma vitória
de não mais precisar reencarnar para aprender. É a chegada à categoria de
espírito dos mundos diáfanos.
Agora, depois de atuar século após século nos mundos-escola, descortina-se a
sua frente nada mais que o infinito do tempo e do espaço. Já pode evolar-se
a outros mundos, já pode colaborar mais intensa e abrangentemente com a
evolução de outras humanidades, dispersas em inúmeros outros planetas de
vida ainda física. Sua vida se desenrolará, agora, em um plano mais objetivo
de maior poder de conhecimento e ação. Finalmente, aquela força bruta é já,
agora, um espírito superior a desenvolver e empregar seus atributos e
livre-arbítrio somente para o bem. Ele, espírito, aprendeu às suas próprias
custas como se tornar uma consciência capaz de servir em meio mais evoluído
e a ser útil em uma dimensão universal. Provou para si mesmo sua capacidade
de burilar o primitivo embrutecimento e transformar-se em luz que agora irá
iluminar o caminho de outros tantos iguais em essência a ele que, em
obediência às leis evolutivas, trilham os caminhos que outrora também
trilhou.
É a chegada a este patamar, com sua total consciência desperta, que lhe dá
condições de servir a ideias de um profundo ideal humanitário e lógico,
totalmente embasados no amor, transformando-as em justiça no seu, agora mais
amplo, campo de ação.
(O autor é militante da filial Porto Alegre-RS)
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