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Alma feminina
Na evolução da humanidade, a mulher é um elemento que concorre, paralelamente, com o homem para a finalidade social humana.
Socialmente, representa um elemento indispensável nas sociedades organizadas. Economicamente, é um agente de produção como o homem. Moralmente, a mulher é, pela educação que deve ter, pela sensibilidade, pelos sentimentos afetivos, o melhor agente da moral.
Na sociedade, a mulher forma, com o homem, uma completa união, determinada pelas leis da natureza.
O casamento não representa o despotismo do homem para com o seu vassalo, a mulher; não é um contrato livre, mas sim um fenômeno natural que, obedecendo às leis que regem o ser humano, solidifica e legaliza a família.
Quando o casamento for espontâneo e não representar uma especulação; quando o homem e a mulher se unirem por mútua atração, sem interesse material; quando os seres forem suficientemente instruídos e moralizados, casará quem reconhecer ter qualidades para isso, e cada um com o seu par, isto é, com o ente mais próximo em educação e instrução.
Hoje, muitas vezes, a mulher não casa por ter encontrado um homem probo, inteligente, moralista, trabalhador e sadio; casa por casar, ignorando completamente o que seja a vida conjugal, e escolhe o rapaz que mais lhe agrada à vista, pelo donaire, pelos galanteios ou pelas promessas vãs de luxo e prazer.
O amor sincero é exclusivista. Uma afeição passageira é sempre perigosa. E a mulher que se deixa levar pelas aparências não ama verdadeiramente, apenas se deixou iludir pela sua imaginação doentia e fútil, e cedo começa a sofrer as conseqüências de uma tremenda desilusão.
O casamento não é um entretenimento, a satisfação de uma vaidade; é a união de um ser a outro de sexo diferente, que só assim se completam e integram.
Se não houvesse má interpretação sobre o casamento, não haveria necessidade de divórcio. Se o divórcio tem sido adotado em países civilizados, é porque não se chegou a realizar, integralmente, a união do homem e da mulher, tornando indissolúveis os seus laços. Os bem casados, os que se amam verdadeiramente e se compreendem, não sentem a necessidade do divórcio.
Que tesouros de sensibilidade encerra a alma feminina! A mulher, quando o sabe ser, não tem só o poder de sustentar e engrandecer, mas também o de consolar as criaturas. A natureza, que lhe deu o mágico tesouro das lágrimas, dotou-a também com o meigo dom de confortar os desesperados. A mulher sabe reconduzir o sorriso aos lábios, quando lhe golpeiam a alma as amarguras do infortúnio. Faz reviver em torno de si a paz que perdeu, e suaviza e cura, ela mesma, uma ferida insanável e até, quando pode, as feridas dos que a rodeiam.
Maria Cottas
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