Cadê o amor ao próximo

Luis Moreira Barbosa

A globalização econômica nada mais é que a histeria, a ganância, a peste

T empos difíceis, campeia na nossa civilização atual uma busca frenética de poder e de dinheiro fácil. Desbravam-se exaustivamente os recursos energéticos e econômicos da mãe natureza, com o singular objetivo pernicioso e catastrófico de avultar somas imensuráveis, engordando os alforges de poucos senhores que dominam o planeta.

Descobriram um processo pseudodemocrático, a globalização econômica, que nada mais é que a histeria, a ganância, a peste, a psico-bomba atômica do capitalismo selvagem que já vai deixando rastro de destruição psíquica, depressões, doenças psicossomáticas, miséria, fome.

Essa radioatividade psíquica é avassaladora por onde passa. Se nada for feito, entretanto, estaremos no princípio do fim desta era, no advento de um grande apocalipse final. Estes tempos deveriam ser de luz, mas estão sendo de grandes trevas. A mãe natureza já vai dando os seus sinais de alerta.

Em Portugal, em quase toda a Europa e em muitos países já se deflagrou essa bomba atômica e já estamos sob os terríveis efeitos econômicos desta maldita psico-radioatividade, que é tão sutil e tão subreptícia.

Se não estivermos todos bem alertas, se não pararmos para pensar, meditar, irradiar às fontes energéticas cósmicas de Luz Superior e apanharmos no retorno grandes efluviações de força espiritual, vacilaremos e sofreremos com toda essa radiatividade, que provocará em nós o desequilíbrio psico-ativo para a febre do consumismo desenfreado, e ceifa de dinheiro fácil.

Vemos nesta sociedade de hoje autênticos autômatos, robôs humanos a deambularem de um lado para outro só por causa do vil metal e do que ele pode comprar, tanto ser humano escravo e subserviente ao vil metal, quando deveria o dinheiro estar ao serviço do homem.

Desenvolvem-se sofisticadas tecnologias, aumentando a produtividade das empresas, robôs e máquinas a desenvolverem trabalhos com grandes lucros. Em contrapartida, mandam-se para o desemprego muitos milhões com um parco subsídio que, ao fim de algum tempo, caduca. A maior parte desses desfavorecidos com 40 anos ou mais já é considerada velha para o trabalho, vai engrossar as fileiras de pobres com a conseqüente miséria, arrastando muitos deles para o suicídio, profundas depressões, ansiedades e alienações mentais, contribuindo para aumentar o número sempre crescente, pelo mundo, das doenças psicossomáticas, propagando grandes desequilíbrios e originando a tal onda de loucura que assolará o mundo, prevista pelo grande mestre Luiz de Mattos.

Onde está o tão apregoado amor ao próximo? Nesse caminho será que a sociedade atual tem futuro? É claro que não!

A médio ou longo prazo algo de terrível se vai passar pelo mundo afora. Vemos a onda de terrorismo a praticar as suas vis patifarias, que neste momento são só uma pálida imagem do que irá acontecer no futuro. A qualquer momento pode emergir um movimento estilo nazismo ou pior para combater esse gênero de políticas que protegem os grandes senhores no açambarcamento e grande concentração de riquezas e recursos do planeta, empurrando para as doenças muitos milhões de seres humanos. Este será o caminho para o grande abismo.

O pessimista queixa-se do tempo, o otimista espera que o tempo mude, o realista ajusta as velas. O militante convicto do Racionalismo Cristão é o realista, é o que ajusta as velas da voz da razão, da verdade, da justiça, da paz social, da harmonização fraternal, e com grande solidariedade cristã ajuda a dissipar as trevas da ignorância, consciente das novas realidades, das novas pobrezas e misérias. Torna-se um soldado ao serviço das Forças Superiores com as armas da não-violência, e com grande amor ao próximo trabalha exaustivamente no esclarecimento e limpeza psíquica da humanidade. Se não existisse esse profícuo trabalho conjuntamente com as Forças Superiores, o que seria desta pobre humanidade?

A humanidade, depois de tanto sofrer, emergirá das cinzas de tanto mundanismo e de tanto chafurdar nas coisas prazenteiras da carne. Tal como o náufrago que se agarra a qualquer tábua de salvação e só tem olhos para a terra, os seres humanos depois de tanto sofrimento, das grandes convulsões da natureza e sociais, se agarrarão à espiritualidade e só terão olhos para as dimensões de Luz Superior. Diz o Astral Superior: só os fortes de espírito vencerão.

O atual estado da humanidade faz lembrar o tempo dos dinossauros. Só os grandes tinham domínio e poder sobre os territórios e os alimentos. Devoravam tudo na sua passagem, os animais menores viviam em constante sobressalto, sempre a se esconder e a fugir para não serem esmagados, destruídos. Como nada acontece por acaso, algo catastrófico aconteceu e pôs fim ao reinado desses corpulentos animais, proporcionando mais oportunidades de vida aos sobreviventes e vindouros, acelerando os processos naturais da lei da evolução.

Os dinossauros de hoje, da força, do poder bélico e do capitalismo selvagem também dominam, escravizam e subjugam os outros seres sensíveis, em nome de deuses criados à sua imagem e de políticas psico-hipnóticas que embriagam as mentes de bilhões de seres humanos embrutecidos pela ignorância, falta de coragem e preguiça mental, ao não se esforçarem para submeter ao seu profundo raciocínio e discernimento todas essas dicotomias de filosofias enganadoras.

Técnicas apuradas de marketing, utilizadas até à exaustão, as novas tecnologias e o poder dissuasor da imagem, criando-nos a ilusão ótica e psíquica de que estamos perante grandes e distintos senhores, muitos não passam de lobos famintos do poder e de dinheiro, com pele de cordeiro. Chegam ao poder, desenvolvem o polvo e as teias sutis e aí engendram escafandros de corrupção, tráfico de influência, movimentação de clientela e arranjos, searas onde se cultivam regalias e mais regalias com leis abstratas e camufladas para o zé povinho não se aperceber.

A justiça não funciona devidamente, reina a impunidade, as leis que regem o país, são as do dinheiro, do poder e do tráfico de influências. Os grandes safam-se sempre, vão para a cadeia muitos inocentes, miseráveis e pobres.

A perversidade dos sistemas políticos e religiosos está a desenvolver-se como uma doença parecida com a aids, fragilizando as estruturas e as defesas imunitárias da tão jovem democracia. Se rapidamente não se descobrir cura, acabará por a matar.

Por tudo o que foi exposto mais uma vez perguntamos: onde está o tão apregoado amor ao próximo?

O autor é Presidente da Filial São João da Madeira - Portugal

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