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Ana Néri, a mãe dos brasileiros
Paulino Pacheco
Ana Justina Ferreira Néri nasceu em Cachoeiro do Paraguaçu, Estado da Bahia, em 1814.
Grande enfermeira, denominada a Mãe dos Brasileiros, apresentou-se como voluntária, para
servir nos hospitais de sangue na Guerra do Paraguai, tratando com muito carinho todos os
doentes e feridos.
Era viúva do capitão Isidoro Antonio Néri e tinha três filhos: o cadete da Escola
Militar Pedro Antonio Néri, que faleceu em 1904, como capitão, e dois médicos:
Justiniano de Castro Rebelo, que sucumbiu em combate, e Isidoro Antonio Néri Filho,
falecido em 1898. Estiveram ao seu lado, na guerra os filhos e dois irmãos: os
tenentes-coronéis Manuel Jerônimo e Joaquim Maurício Ferreira.
Ao retornar do Paraguai, Ana Néri trouxe três órfãos de soldados desaparecidos na
luta; educou-os e cuidou deles como se fossem seus filhos legítimos. Como D. Pedro II era
um espírito justo e bondoso, sensibilizou-se com o gesto da benévola enfermeira e
deu-lhe uma pensão, para que as crianças tivessem alimentação, vestuário, educação
etc.
Na sua recepção, pelos relevantes serviços prestados aos valentes soldados
brasileiros, recebeu da população hospitaleira do Rio de Janeiro uma grande
manifestação de afeição, nunca vista em nossa pátria: uma chuva de pétalas de rosas
e uma coroa de louros cravejada de diamantes. Ana Néri faleceu em 1880, no Rio de
Janeiro. Foi condecorada com as medalhas de Humaitá e de Campanha. Foi colocado no lugar
de honra da Câmara Municipal de Salvador o seu retrato, pintado pelo artista plástico
Vítor Meireles.
Em homenagem à notável enfermeira, Carlos Chagas – médico e professor de medicina da
Universidade do Rio de Janeiro, descobridor da doença transmitida pelo inseto barbeiro, a
qual tem o seu nome, o mal de Chagas, nomeado, em 1907, assistente do Instituto Osvaldo
Cruz, do Rio de Janeiro, e que passou a diretor daquele instituto, em 1917,
respectivamente, nos governos de Afonso Pena e Venceslau Brás – fundou a primeira escola
de enfermeiras, denominando-a Ana Néri, 1923, no Governo Artur Bernardes.
Também, em sua homenagem, o Decreto 2.956, de 10 de agosto de 1928, constituiu o Dia da
Enfermeira, no Governo Washington Luiz.
O autor é diretor da Casa Chefe
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