Sobre andar de bicicleta

Tharsila Prates

Lembro do dia em que aprendi a andar de bicicleta. O “professor” foi o meu pai. O lugar, perfeito: era na área onde funcionava um mercadão, com muito espaço e fechada aos domingos. Minha bicicleta tinha as famosas rodinhas auxiliares, e meu pai segurava atrás, tentando me equilibrar até que eu conseguisse guiá-la
sozinha. Isso faz uns bons anos, mas acho que a cena é igualzinha à de hoje, quando os pais tiram o dia para ensinar seus filhos a andar de bicicleta. As mesmas rodinhas, a mesma disposição para empurrar a bicicleta – sem rodinhas –, os mesmos tombos, a mesma bicicleta usada, herdada pelos mais novos etc., tudo igual.

É dito à criança – mesmo que ela não entenda direito – para ter cuidado, persistência, equilíbrio e que, quando cair, o segredo é levantar e começar tudo outra vez. E não pode faltar a dica que todo mundo já sabe: quando se aprende a andar de bicicleta, jamais se esquece.

É preciso deixar tudo isso claro, com carinho, porque tem muito adulto por aí que, simplesmente, não aprendeu a andar de bicicleta. Teve trauma porque caiu e se machucou feio ou não tinha jeito nas primeiras vezes em que pedalou e acabou desistindo ou não teve quem o ajudasse com calma. Não deixa de ser um desafio aprender a andar de bicicleta, mesmo que seja anos e anos depois da fase de criança. E você, que é criança, aproveite e pedale muito. Treine bastante e bom passeio!

(A autora é jornalista, frequentadora da Filial São Paulo-SP)

 

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