Antonio Cottas

Maria Teresa Gomes

Acentuou dr. Humberto Machado Rodrigues em seu magnífico discurso, no evento que marcou o centenário de Antonio Cottas, em 21 de novembro de 1992: "Entrando para a Doutrina em 1918, Antonio Cottas foi logo analisado por Luiz de Mattos. Com sua visão arguta, Luiz de Mattos olhou Antonio Cottas de cima abaixo, com aquela austeridade e sizudez que lhe    eram características. Encarando Antonio Cottas, sentiu logo que ali estava o homem de que precisava para dar continuidade à sua obra, e assim foi feito. Antonio Cottas teve ascensão verdadeiramente meteórica no Racionalismo Cristão, passando em pouco tempo a diretor e, depois, à vice-presidência, até que Luiz de Mattos veio a falecer, em 1926, em seus braços. 

Antonio Cottas assumiu a grande missão de levar à frente a Doutrina de seu Mestre querido, Luiz de Mattos. Começa aí a gestão de Antonio Cottas na presidência, vibrante e profundamente profícua, mas eis que, no início da década de 40, falsos amigos, invejosos, valendo-se da perfídia e da falácia, serviram-se do próprio caráter peçonhento para tentar alijar Antonio Cottas da presidência do Racionalismo Cristão, mas não o conseguiram, Antonio Cottas voltou vibrante, mais forte do que nunca, vitorioso nos tribunais e fora deles.

Pode-se dizer que depois disso é que começou a fase verdadeiramente fulgurante da vida ou da gestão presidencial de Antonio Cottas. Logo em 1956, inaugura esta Casa majestosa (a Casa-Chefe), onde estamos."

Muito mais há para se dizer acerca da vida de Antonio Cottas, tão rica em princípios, exemplos, de amor às duas pátrias – Brasil e Portugal. Ambas somam enorme dimensão, mas cabiam perfeitamente no seu generoso espírito.

Vale inserir aqui pequeno trecho da manifestação do espírito de Antonio Cottas, logo após sua desencarnação: "Companheiros e amigos, aqui estou para confirmar a grande frase que encerra todo o significado da vida: A morte não interrompe a vida! Não a interrompe realmente! Quando o corpo tomba, o espírito se eleva com coragem e valor. Não teria sentido a vida do ser humano, se não fosse a vida eterna do espírito. O espírito encarna para cumprir deveres, para dar continuidade à sua trajetória evolutiva; uns obtêm menos evolução, outros, mais, trabalhando e lutando em prol de causas justas ou ideais que vão surgindo e se destacando na passagem por este mundo Terra. O corpo, que é matéria, como sabeis, pouco vale; o espírito, que é Força e Luz, este é eterno, este vai processando a força de vontade e os princípios espiritualistas".

Antonio Cottas é para todos nós um imenso espelho cristalino, cuja imagem refletida nos mostra o caminho do dever, a necessidade premente da disciplina e do amor e dedicação ao trabalho. Reflete também a pureza inconfundível da doutrina racionalista cristã.

No mês de novembro, os racionalistas cristãos reverenciam o Mestre Antonio Cottas, a sua data natalícia, a 19 de novembro de 1892. Quanto mais evoluído espiritualmente, mais se acentua a simplicidade e agigantam-se a virtude, o caráter e o amor incondicional ao próximo.

Era assim, exatamente, Antonio Cottas: não se valia de títulos e honrarias para sobressair no magnífico trabalho que desenvolveu à frente da doutrina Racionalista Cristã.

(A autora é secretária da Casa-Chefe)

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