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Antonio Cottas na intimidade
Antonio Cristovam Monteiro Privando da ditosa intimidade de Antonio Cottas, na condição da extrema felicidade de genro que dele fui, na sua luminosa missão terrena, animo-me a revelar confidências colhidas nos momentos de lazer, que a todos, e particularmente a nós, racionalistas cristãos, servem de exemplo estimulante na luta pela vida.Os dados biográficos iniciais de Antonio Cottas já são de todos conhecidos, mas sempre nos é agradável e proveitoso repeti-los. De lar humilde, teve como berço a aldeia de Servuzelo, na Freguesia Outeiro, conselho de Montalegre, no extremo norte da maravilhosa e sempre querida terra portuguesa. Seu pai, Miguel Cottas, o patriarca da estirpe dos Cottas, era militar, lotado no quartel de Chaves. Mais tarde, por conveniência do serviço, foi transferido para Soutelinho da Raia, fixando residência em Ardãos. Homem de conduta exemplar, disciplinada, não fosse ele um militar, cumpridor à risca dos seus deveres, tanto na tropa, quanto no ambiente familiar, pautou sua vida no mais elevado padrão de dignidade e honradez, virtudes que instilou no espírito de Antonio Cottas, que delas jamais se afastou. Seus pais, com profunda tristeza pela ausência do filho querido, mas desejando-lhe um futuro melhor, decidiram encaminhá-lo para o Brasil. Ao chegar ao Rio de Janeiro, ficou aos cuidados de um tio, Joaquim, dono de importante armazém de secos e molhados na Rua do Catete, onde foi logo admitido na função de caixeiro. Eis Antonio Cottas, ainda de compleição franzina, a assumi-la. Além de atendimento no balcão, era encarregado de entregar as compras aos fregueses, tarefa que desempenhava com certa dificuldade, quase superior a suas forças. A maioria dos fregueses não lhe dava atenção, mas uns poucos dispensavam-lhe certo acolhimento, e dentre esses exaltava ele a particular receptividade que recebia da esposa do general, mais tarde, marechal Osório, herói da guerra do Paraguai, que residia na Rua do Riachuelo, ao pé da antiga Inspetoria de Águas e Esgotos, hoje Cedae. O prédio da residência, por seu valor arquitetônico e histórico, foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural da União. A esposa do marechal levava o menino até a cozinha e mandava servir-lhe café com acompanhamento, tal como dispensado à família. Aquela acolhida, ainda que por rápidos momentos, lhe trazia um consolo espiritual, de que ele sempre haveria de lembrar-se com imensa gratidão. Foi crescendo, e participava de um grupo de amigos, alguns até conterrâneos, ambiente em que se fazia uso imoderado do cigarro, bebida alcoólica e havia até outros exemplos de conduta reprováveis, situação a que Antonio Cottas estava sempre alheio, firme na formação cristã que lhe incutira o sadio ambiente familiar de seus pais. Certa ocasião, estava em pleno carnaval, e os seus companheiros induziram-no a participar de um bloco carnavalesco em que a fantasia era a do chamado "dominó". Preparava-se para sair já com a fantasia e, ao passar por um espelho, nele se mirando, sentiu-se tomado por uma súbita revolta, pelo ridículo que ia passar, com a fantasia, e imediatamente dela se livrou, ficando bem com sua consciência. Naquele dia, desencarnara sua querida mãe. A notícia, que lhe causou profunda tristeza, veio dias após a desencarnação. Com o passar do tempo, com o fruto de suas economias, tornou-se sócio de um armazém no largo do Maracanã esquina da Rua Felipe Camarão. Não tardou, mais adiante, com seus esforços e trabalho árduo, adquiriu com outro sócio o segundo armazém nas imediações. Todas as manhãs, recebia, no seu armazém principal, a visita de um coronel reformado do Exército, que ia ler o jornal, diariamente, exposto no balcão. Certa vez, notou que Antonio Cottas estava um tanto apressado, pronto para sair, alegando que iria a uma reunião da irmandade da igreja de Santo Antonio, situada no topo de um morro existente na Praça Sete (Barão de Drummond). O coronel indagou – Onde vais, Antonio? Por que tão longe, se tens aqui perto, na Rua Jorge Rudge, uma casa tão boa, o Centro Redentor, onde se realizam sessões públicas e doutrinações três vezes por semana? Incontinenti, Antonio Cottas tirou o paletó e voltou a suas atividades no armazém, afirmando que iria assistir a uma dessas sessão. Nesse recuo brusco, sentira Antonio Cottas o primeiro toque do Astral Superior, e lá estava ele na primeira sessão que se realizava. Tamanho foi seu entusiasmo, envolvido pela eloqüência das doutrinações de Luiz de Mattos, que dele não tardou a aproximar-se. Por sua fervorosa dedicação à Doutrina, como maior colaborador de Luiz de Mattos, deste tornou-se genro, desposando sua dileta e única filha, Maria Cottas, um dos maiores médiuns da história do Racionalismo Cristão. Por falar-se em doutrinações, gostava Antonio Cottas de referir-se à atuação do marechal Floriano Peixoto, firme e valorosa, no exercício do cargo de segundo presidente da Republica – conseguiu conter a reação dos opositores do regime republicano, o que lhe valeu os titulos de Marechal de Ferro, e Consolidador da República. Floriano, cujo lema no trato da vida diária, notadamente nas questões de grave importância, era "Confiar, desconfiando sempre". Coincidentemente, Antonio Cottas, como já em outros escritos assinalamos, resistiu com firmeza e destemor às perseguições que, na condução da Doutrina, sofreu dos ambiciosos que queriam apoderar-se criminosamente do patrimônio do Centro Redentor, o que lhe valeu o merecido titulo de Consolidador do Racionalismo Cristão, este extraordinário movimento doutrinário, a oitava maravilha do mundo, senão a maior de todas, de todos os tempos. O autor é Consultor jurídico da Casa-Chefe |
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