Antonio Cottas, líder inconfundível

Antonio Cristovam Monteiro

O homem honrado tem entre as qualidades a lealdade e a retidão no cumprimento do dever

Ainda sob a inefável sensação da grandiosidade que foi a festividade comemorativa do meio centenário de inauguração da Casa-Chefe do Racionalismo Cristão, que teve sua maior significação na exaltação do herói desse feito, Antonio Cottas, temos outra data, 19 de novembro, tão grata para nós racionalistas cristãos, comemorativa do seu natalício.

Vem-nos à lembrança um ato altamente significativo do elevado civismo do seu espírito. Residia Antonio Cottas, primitivamente, com a família, na parte posterior do andar superior da antiga sede do Racionalismo Cristão, ali no número 121 na Rua Jorge Rudge, no mesmo local em que residiu o nosso sempre querido mestre Luiz de Mattos. Nas dependências da frente estava instalada a secretaria do Centro Redentor.

Todos os dias 19 de novembro, dia consagrado à Bandeira brasileira, pela manhã, precisamente às 8 horas, lá estava Antonio Cottas, assistido dos seus familiares e de outras pessoas amigas, estas, naquele dia em maior número, para cumprimentá-lo pelo seu aniversario, coincidente à data daquela festividade cívica. Lá estava ele hasteando, solenemente, no mastro instalado na sacada da sede antiga, a Bandeira brasileira, efusivamente aplaudido por todos os presentes. Seguidamente era servido, à mesa farta, o café da manhã. Outras datas cívicas importantes eram comemoradas com o mesmo espírito de brasilidade.

Considerava Antonio Cottas o Brasil a sua segunda pátria, não olvidando a reverência sempre fiel ao seu torrão natal, o seu – diga-se também o nosso – sempre querido Portugal. Fazia questão de explicar, porém, que adotou a nacionalidade brasileira, nunca pela naturalização e sim pela nacionalização, o que, em vista das circunstâncias da política então reinante, significava a mesma coisa.

É que, logo após a proclamação da República, foi editada pelo governo a lei chamada "Da Grande Naturalização", a qual determinava que, sem burocracia alguma, no prazo por ela assinalado, todo estrangeiro residente no país que omisso ficasse quanto à preferência de conservar a sua nacionalidade de origem, adquiria, por opção tácita, a condição de brasileiro.

Queria Antonio Cottas com isto dizer que não renegava a sua pátria de origem, nacionalizando-se por opção tácita, o que era diferente da naturalização pelo rito jurídico em que é da essência desta o juramento solene à nova pátria adotada.

Entretanto, superior a tudo isso era a sua sublime concepção de nacionalidade no plano da espiritualidade, porque, diga-se com toda firmeza de ânimo e absoluta segurança, Antonio Cottas foi, em sua estada terrena, um espírito muito além do seu tempo.

Doutrinava ele, com elevada sabedoria, que chegará o tempo, talvez, para séculos, em que se dará a total divulgação e adoção do Racionalismo Cristão na face do mundo Terra, e acabará essa noção ainda materialista de pátria, povos, nações, racismo, misticismo, ideologias políticas e todas as outras inconseqüências humanas, de vez que cada lar será uma casa racionalista cristã em que as pessoas se reconhecerão, em conseqüência, pelo esclarecimento, que todos são cidadãos do Cosmos, habitantes da eternidade, herdeiros do infinito no Plano Astral.

Que antevisão profunda das coisas, que só é dada ao mais elevado grau de espiritualidade, como o de Antonio Cottas, esse astro de fulgurante grandeza, hoje em corpo astral, a compor aquela constelação do Astral Superior em que pontificam os gigantes espíritos de Luiz de Mattos, Luiz Thomaz, padre Antonio Vieira e de todos mais ligados ao Grande Foco, Força Criadora do Universo, cujas leis são naturais e imutáveis e a elas tudo esta sujeito!

(O autor é consultor jurídico da Casa-Chefe)

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