Homenagem luso-brasileira a Antonio Cottas



Dia 24 de novembro o Real Gabinete Português de Leitura e a comunidade luso-brasileira radicada no Rio de Janeiro homenagearam os 100 anos de Antonio do Nascimento Cottas com descerramemnto de uma placa relativa à data pelo cônsul de Portugal, dr. José Guilherme Stichinni Villela, e pela filha do homenageado, sra. Maria Luíza Cottas de Jesus.

A solenidade, no Real Gabinete Português de Leitura, teve também apresentação da Casa de Trás-Os-Montes, com jovens vestidas com o traje típico da região, e de um concerto de música barroca.

Na ocasião discursaram o dr. Antonio Gomes da Costa, presidente da Federação das Associações Portuguesas e Luso-Brasileiras e presidente do Real Gabinete Português de Leitura, e a sra. Maria Luíza, filha de Antonio Cottas.

O Real Gabinete, um dos segmentos mais representativos da luso-brasilidade, teve em Antonio Cottas um de seus vice-presidentes.

Antonio Gomes da Costa afirmou no discurso: "Estamos hoje reunidos para evocar a memória de um grande português. Viemos de lugares diferentes: uns vieram de mais longe, movidos pelas afinidades de uma doutrina de que foi o Consolidador incansável; outros vieram de mais perto, impulsionados pelo sentimento de gratidão e de amizade que se foi cristalizando na convivência com um homem que tinha nos seus cabelos brancos, na sua fisionomia austera, na sua palavra de "bom pastor" o fascínio e os traços dos que nascem predestinados para uma missão e sinalizam, em cada alvorecer, pontos de futuro".

Disse, ainda, Antonio Gomes da Costa: "Todos estamos aqui, seja qual for a origem e o impulso, para render homenagens e mercês não sei se àquele menino de 12 anos que logo depois da virada do século desembarcou no Rio de Janeiro, com algumas roupas na mala e muitos sonhos na alma, e começou a realizar seus projetos de vida, ou se àquele homem feito e maduro que nunca deixou de ser um semeador e que por vezes, no meio da incompreensão e dos egoísmos, encostado à árvore frondosa do Racionalismo Cristão, olhava como uma figura bíblica, na sua frente, a seara madura e ondulante a perder-se na linha do horizonte e dizia então para si próprio; "Estou a ajudar a fazer um mundo melhor e vou continuar".

"Antônio Cottas foi, acima de tudo, um homem bom. Soube fazer uma obra admirável como guia espiritual e como apóstolo, dentro do Racionalismo Cristão; soube vencer como empresário e impressionar os que acompanharam a sua evolução e os seus predicados à frente dos negócios; soube dar exemplos magníficos de cidadania e de solidariedade; soube ser português de corpo inteiro e marcar pelo caráter e pela dignidade a sua passagem pelas nossas associações; soube, acima de tudo, ser um chefe de família e um amigo dos que tiveram a oportunidade de com ele privar e conviver".

(Edição de dezembro de 1992)

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