| Visita de
Antonio Cottas a Portugal
A Razão publicava em 20 de dezembro de 1950
Em sua atual viagem de estudos e observação aos centros europeus, teve o sr.
Antonio Cottas, chefe do Racionalismo Cristão, a oportunidade de entrar em
contato com numerosos simpatizantes da espiritualizadora doutrina em vários
países por ele percorridos.
Doutrina confraternizadora que preconiza a solidariedade humana como único
meio capaz de neutralizar o materialismo absorvente dos dias que correm, o
egoísmo que embota os superiores anseios da alma, a ambição desenfreada que
lavra, qual vulcão devastador, entre os povos, nunca seus princípios tiveram
a necessidade imperiosa de explanação e divulgação entre os povos, como nos
atribulados dias que estamos vivendo, amargurados dias de incompreensões, de
desajustes, de desentendimentos e de lutas. Dias de domínio pela força bruta
dos que pretendem negar aos outros o direito de pensar e viver de acordo com
suas tendências, hábitos e tradições, para lhes impor novas formas de
governo, incompatíveis com os ideais de fraternidade e justiça que sempre
nortearam os povos civilizados.
Por tudo isto reputamos justas as homenagens prestadas no Filiado do Porto,
a 1º do corrente, a Antonio Cottas e sua esposa, Maria Cottas, pelos
racionalistas cristãos portugueses e que consistiram em uma reunião solene
que decorreu brilhante sob todos os aspectos. No dia da homenagem, as
instações do Filiado, no Campo 24 de Agosto, ficaram lotadas desde cedo por
integrantes de todas as classes sociais.
Ao chegar ao local, o casal homenageado foi saudado por vibrante salva de
palmas. Acompanharam-no o dr. Madeira Pina, o sr. Antonio Pinto Monteiro e
outros prestigiosos diretores, sendo a reunião presidida pelo sr. Diamantino
Correia dos Reis, que fez brilhante síntese dos princípios racionalistas
cristãos, concitando todos a estudá-los como antídoto para o materialismo
avassalador do momento.
Após o discurso de Diamantino Correia dos Reis, Antonio Cottas lembrou que a
data (1º de dezembro) marcava um episódio de glória para Portugal porque,
nesse dia, em 1640, bravos portugueses punham fim ao domínio espanhol que
durara 60 anos e derrubaram o poderio de Felipe II.
“A atitude daqueles bravos comprova que o Direito e a Razão têm grande
poder”, afirmou, acrescentando que o povo português “é algo mais do que
esses 8 milhões de almas espalhadas neste pedaço de terra abençoada”.
Destacou ainda: “Nasci em Portugal, vivo no Brasil há cerca de 46 anos e,
por força de acontecimentos espiritualistas, cheguei à chefia do
Racionalismo Cristão, criação e fundação do espírito luso, lutador de todos
os tempos, Luiz de Mattos.”
Ao longo de sua fala, Antonio Cottas enalteceu os feitos históricos
portugueses e citou seus principais líderes e realizadores, reservando
referência especial a Antonio Vieira, a quem chamou de “Paladino da
Verdade”.
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