Atenda aos apelos da consciência

Tharsila Prates

A toda ação corresponde uma reação. É a lei de causa e efeito, infalível. Pode não ser no mesmo momento em que o ato é praticado, mas a reação virá na proporção exata. Há também outro aspecto a ser considerado. O espírito possui, entre todos os seus atributos da Inteligência Universal, uma consciência vigilante e implacável. É ela que aponta os malfeitos naqueles que ainda têm alguma sensibilidade para tal.

Para muitos, o poema O Morcego, de Augusto dos Anjos, é o perfeito retrato de uma consciência pesada. Ele diz: “Ao meu quarto me recolho (…) E este morcego! (…) Olho o teto. E vejo-o ainda, igual a um olho, circularmente sobre a minha rede! (…) A consciência humana é esse morcego. Por mais que façamos, à noite ele entra imperceptivelmente em nosso quarto!”.

Desconsiderando o ambiente obscuro que, porventura, tenha inspirado o artista e sem querer imprimir ao animal uma visão exclusivamente negativa, fiquemos apenas com o que podemos tirar de lição sobre a consciência humana – escrita pelo poeta em letras maiúsculas, tal o seu poder. Sabemos muito bem o que nos causa sofrimentos. Daí a expressão bastante conhecida por todos: a consciência dói. Sabemos quais são os hábitos e os comportamentos que temos de mudar. Para isso, contamos com a ajuda inestimável da nossa consciência. Sendo o farol a nos guiar, é ela que acaba mostrando o caminho que a nossa intuição acredita ser o melhor.

O alerta é com relação às pistas falsas. Recorro, outra vez, às obras do Racionalismo Cristão e a Luiz de Souza, com o seu A Felicidade Existe. “A voz da consciência reflete sempre uma orientação superior quando ela é realmente da consciência. Muito cuidado com as intuições do astral inferior. Analise-se, antes, a pureza das intenções, pois as forças inferiores, como todos sabem, não transudam pureza. Não devemos atribuir à consciência resoluções despidas de grandeza moral.”

Devemos fazer as coisas não para agradar aos outros, mas buscando atender aos apelos da nossa consciência. Quanto mais a exercitarmos, mais ela estará disponível para nos ajudar.

Agir conscientemente, portanto, significa saber conduzir-se pelo caminho do bem, atendendo aos gritos de uma consciência pautada sempre pelo bom-senso, pelo equilíbrio e pela razão.

(A autora é jornalista, e frequentadora da Filial São Paulo,  SP)
 

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