Aprendendo a viver

Olga Brandão

Publicado em 20 de julho de 1964

A criatura nasce para realizar a vida que o espírito traçou. Para viver, porém, uma vida bem vivida, é importante distinguir sua e própria composição: Força e Matéria. A matéria é o corpo, que precisa de alimento; a Força, o espírito, que necessita de luzes. A necessidade de alimento se revela pela fome, mas a necessidade de luzes se manifesta de um modo diferente: pelo sono - ocasião em que o espírito vai a seu mundo para refazer-se - e também por certas reações, nem sempre compreendidas pelos leigos.

Como conseguir luzes para avivar esta chama interior que ilumina os passos lá fora, que encoraja para as lutas, que refrigera as dores morais? Aprendendo a viver, esclarecendo-se. Viver muito não é cansar-se de adicionar meses e anos, mas enriquecer a soma com atos de valor. Viver bem não é somente transformar os dias numa máquina de ocupações materiais nem desfrutar o máximo de prazeres, mas cuidar, principalmente, do espírito - elemento de real valor na vida.

Para cuidar da evolução do espírito só há um meio: esforçar-se para elevar o pensamento acima do que for material. Isto se consegue não só reservando uma parte do dia para a tarefa espiritual, mas também valorizando pensamentos e ações. Bom ou mau. A vida não pode ser uma sequência de prazeres para uns, nem um rosário de sofrimentos para outros. Quando o espírito encarna, já escolheu, previamente, o meio ambiente em que fará sua trajetória no Terra.

Esse meio nem sempre é o mais agradável, mas o propício à sua evolução. Ele tem que aceitar viver com quem tem maior cabedal de qualidades ou com quem reúne mais defeitos; com quem tem mais coragem ou com quem não a possui. O importante é viver, para não perder a encarnação, adaptando-se inteligentemente ao meio; o importante é lutar não por uma luta inglória, mas por aquela que redunda no aperfeiçoamento moral, em benefício próprio e da comunidade.

Há tanta gente necessitando da ajuda dos que são esclarecidos! Se saber viver é conhecer-se a si mesmo, torna-se necessário que o indivíduo investigue não o que sente, mas a natureza das forças que o levam a agir desta ou daquela maneira, encontrando sempre razões excelentes de uma lógica perfeita para justificar a conduta.

Só um penoso esforço de sinceridade é capaz de fazê-lo compreender que essa lógica impecável dissimula, muitas vezes, graves falhas. O fato de descobrir uma tendência suspeita não afasta a hipótese de uma perfeita recuperação, mas o desejo de agir bem e a coragem de corrigir o erro são caminhos certos para atingir a valorização pessoal.

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