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As 3 balanças de Lavoisier
Valfredo Melo e Souza
A célebre frase de Antoine Laurent Lavoisier (1743-1794) “na natureza nada
se cria, nada se perde, tudo se transforma” nunca foi tão bem lembrada na
semana da defesa ambiental.
A obra do mestre Tratado Elementar da Química foi editada em 1789, e em 4 de
maio de 1794, no meio do Reinado do Terror, na França, foi ele guilhotinado
em virtude de sua ligação com o governo anterior.
Lavoisier revolucionou o mundo da química científica, sem tê-lo fundado. Na
verdade, não descobriu qualquer substância nova, não inventou um aparelho e
não desenvolveu qualquer processo novo de laboratório.
Ele simplesmente ordenou experiências anteriores, dando novos significados,
que vieram constituir-se nas bases da química moderna e internacional. A
teoria dominante à época desses estudos era a doutrina do flogisto (phlogiston).
Todas as coisas combustíveis tinham essa essência de fogo que se desprendia
das substâncias inflamáveis enquanto queimavam.
Foi Lavoisier quem destruiu completamente tal teoria. O queimar é resultado
da união da substância combustível com o oxigênio (nome que deu ao ar
deflogisticado).
Usando balanças extremamente delicadas, observou que as cinzas dos metais
pesavam mais do que os metais originais, por causa do peso do ar combinado
com o da substância que ardia. Verificou também que a respiração dos animais
era um tipo lento de combustão.
Descobriu a explicação para a combustão do ar inflamável (hidrogênio) ao
ouvir falar da descoberta de Cavendish: “que a queima do ar inflamável
produzia água pura”. Lavoisier realizou a experiência e concluiu que a água
é composta de dois gases: oxigênio e hidrogênio.
Com experiências desenvolveu a lei da conservação da matéria – conceito que
não era novo, mas jamais tinha sido demonstrado com tanta precisão. Cálculos
e novas equações foram demonstrados. Com sua nova balança, provou que cada
operação química termina em uma equação e que, apesar de a matéria poder ser
alterada pelo processo químico, sua quantidade não se altera. Teria
concluído: a matéria não pode ser criada nem destruída (a teoria atômica
refaz o pensamento).
Experiências facilitadas pelo uso de suas três delicadas balanças – uma
podia pesar quinquagésima-centésima parte de um grão – apontavam a
necessidade da sua absoluta precisão das medidas.
Disse um crítico: “Ao introduzir a balança na química, como instrumento de
precisão, Lavoisier pôs a nova ciência sobre a base quantitativa definida da
disciplina exata”. Isso deu o tiro de misericórdia em todo o sistema de
métodos antiquados.
Arremata Lavoisier: “não poderia haver progresso sem possibilidade de pesar
e medir todos os elementos químicos.” E revolucionou toda a nomenclatura da
química (os antigos termos provinham da alquimia com expressões bárbaras e
sem sentido). “Manteiga de arsênico” tornou-se “cloridato de arsênico”;
flores de zinco passou a se chamar “óxido de zinco”; ar deflogisticado ficou
conhecido como oxigênio. Putrefação e fermentação do lixo ambiental, hoje,
se conhece por chorume.
(O autor é jornalista e escritor)
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