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| As duas estradas Luciana Costa Certa vez parei para refletir sobre o momento de decisão que todo ser encarnado passa na vida. Na verdade esses momentos são vários, mas se analisarmos bem só existem dois caminhos, duas estradas. Nós só podemos escolher uma estrada e essa escolha será feita de acordo com os valores que a criatura possui, com a personalidade, com o objetivo que ela deseja alcançar. Esse momento de decisão é importantíssimo, deve ser muito bem pensado e repensado com paciência, amor, desprendimento e humildade. Esses fatores são necessários, pois as duas estradas não devem ser escolhidas simplesmente pelas suas aparências, e sim pelo que se deseja obter delas. A primeira estrada apresenta-se perfeita, sua beleza é indiscutível, com muitas árvores, flores, pássaros cantando, um céu azul turquesa sem nenhuma nuvem, temperatura agradável, ou seja, uma perfeição incomensurável. Uma bruma matinal, porém, não permite que enxerguemos onde dará essa estrada e isso causa uma certa insegurança, pois se a sua entrada é tão grandiosa, por qual motivo não conseguimos ver aonde ela nos levará? O que ela esconde? A segunda estrada, logo de início, não é bela como a primeira, ao contrário, observa-se uma paisagem um pouco árida, existem algumas pedras, uns obstáculos cuja transposição requer paciência e ponderância. Existem umas partes baixas, outras altas. Numa determinada parte é possível observar claridade, noutra, escuridão, ou seja, observa-se um equilíbrio entre o agradável e o desagradável. Mas essa segunda estrada, que não é tão bonita quanto a outra, permite que enxerguemos em seu horizonte, uma montanha verdinha com muitas flores das mais variadas cores, animais brincando e alimentando seus filhotes num ato de ternura, árvores carregadas de frutos saborosos, um leve perfume envolvente e purificador e um sol maravilhoso e acolhedor. Essa segunda estrada é a estrada real, verdadeira, que conduzirá aqueles que não fogem aos obstáculos, aqueles que não deixam o medo dominar por saberem que nada nessa vida se consegue sem sacrifício, sem luta. E será essa estrada que levará o homem ao êxito, pois será nela que a criatura passará por todas as provações e aquele que souber dominar-se e enfrentar tudo sem medo saíra vitorioso e será digno e merecedor dessa verdadeira e real beleza e felicidade relativa que a criatura tem direito neste mundo-escola. E a primeira estrada, não mostra a sua continuação, porque ela é uma ilusão que tem o objetivo de enganar o Homem, o Dono da decisão, o Detentor do livre-arbítrio. E esse homem que deixar enganar-se pela aparência bela dessa primeira estrada no decorrer do seu curso ela mostrará aquilo que ela realmente é: estreita, cheia de pedras, espinhos, escura e sem direção. Como todos nós esclarecidos que somos pelo Racionalismo Cristão sabemos, que não existe perfeição no mundo-escola, que o êxito não vem fácil, é preciso sacrifício, renúncia, força de vontade. É preciso lutar e se a Inteligência Universal criou esse mundo com seus altos e baixos é porque temos que exercer a nossa vontade, aprimorar os nossos atributos superiores e termos sempre em mente que uma encarnação é um momento na vida eterna de um espírito, pois só assim venceremos a nós mesmos. E se estamos todos aqui é porque temos capacidade de decidir e enfrentar qualquer coisa que venha em nossa direção. É preciso pensar muito antes de tomar qualquer decisão, pois essas duas estradas estão sempre presentes nessas horas. Sendo que uma leva ao triunfo e a outra ao sofrimento, sofrimento este muito mais doloroso que um revés, pois foi provocado pela preguiça mental e pelo mau uso do livre-arbítrio. (Luciana Costa é militante da Filial Niterói - RJ) |
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