Marclei Barbosa Santiago
A encarnação compreende três fases: a primeira é a de planejamento e diz
respeito ao espírito, na preparação da encarnação em seu mundo de estágio; a
segunda é a de realização, que compreende o espírito já encarnado no mundo
físico Terra; a terceira e última fase é da avaliação do espírito aferida
pelo próprio espírito, após a desencarnação, ao retornar ao seu mundo de
estágio. Para compreendermos melhor o ciclo encarnatório, vamos fazer uma
comparação entre os eventos que acontecem nas fases de planejamento,
realização e avaliação de uma encarnação.
No primeiro momento, o espírito está em fase de planejamento da sua
encarnação. Esta fase compreende a visão astral (mundo de estágio) em que o
espírito faz uma planificação geral de toda sua próxima jornada encarnatória,
mas não detalha ou particulariza todas as situações que terá de enfrentar.
O planejamento ocorre em planos astrais (mundo de estágio). Nessa fase, o
espírito tem a expectativa do que vai vivenciar, tendo em vista suas
necessidades de aprendizado. Essa fase compreende a visão e os planos
traçados pelo próprio espírito em dimensão astral. Trata-se apenas do
cumprimento de uma lei que possibilita ao espírito evoluir, nada mais.
No segundo momento, o espírito está em fase de realização do que planejou em
mundo astral, para sua encarnação. Nessa fase acontece a visão física (mundo
Terra), levando-se em conta o espírito encarnado em um mundo de limitações,
incertezas e relatividades como é o planeta Terra. Desta forma, quando de
sua permanência neste planeta, a maioria das situações da vida real que o
ser vivencia depende apenas dele, de mais ninguém. São elas resultado da
maneira como ele opera sua encarnação. Tudo vai depender da sua conduta,
forma de pensar e sentir.
Algumas situações podem ser circunstanciais, estando o ser sujeito a elas
independentemente da sua vontade, e são resultado da planificação no mundo
de estágio, fenômenos da natureza, ações de espíritos encarnados ou
desencarnados e tantos outros eventos provocados por agentes externos,
porque não existe efeito sem causa e nem causa sem um agente causador,
afirmação esta fundamentada na lei imutável e inexorável de causa e efeito.
A fase de realização é que será determinante quanto ao sucesso da encarnação
e ao momento exato (real) da desencarnação, pois esses dois acontecimentos
ficarão atrelados ao planejamento feito em mundo astral, à conduta adotada
pelo espírito, fruto do uso que fizer de seu raciocínio e de seu
livre-arbítrio, e às circunstâncias a que ele for submetido como
consequência dos acontecimentos enquanto permanecer, neste mundo-escola.
No terceiro momento, o espírito está em fase de avaliação da sua última
encarnação. A fase de avaliação após a desencarnação compreende, também,
como na fase de planejamento, a visão astral (mundo de estágio).
Na avaliação, é feito um confronto entre o que foi planejado e o que foi
realizado pelo espírito. São analisados e apurados os resultados alcançados
pelo espírito na fase de realização no plano Terra. Nessa fase, como
acontece também na de planejamento, não existem exceções a regras, e sim a
busca de conformidade ao plano encarnatório traçado, nesse momento aferido
através do quadro fluídico do espírito pelo próprio espírito. Só existe a
possibilidade de exceções a regras quando examinamos questões na visão do
espírito encarnado na Terra. Na visão astral não há exceção a regras ou
leis.
Os humanos interpretam muitos fenômenos dentro de uma perspectiva irreal,
como uma ilusão de ótica, já que a natureza das leis espirituais não permite
exceções. Elas são justas, certas e necessárias para que a evolução, lei
maior do Universo, ocorra.
A regra que diz que “toda regra tem exceções” só ocorre num mundo de
incertezas, como a Terra. Só os humanos apelam para o recurso desta regra,
principalmente quando não encontram explicações para os fatos que não sabem
explicar. Portanto, a “regra da exceção à regra” que conhecemos na Terra
inexiste no mundo espiritual.
A doutrina racionalista cristã nos educa e nos faz compreender que nossas
análises serão mais profundas e nossas conclusões mais abrangentes, precisas
e ricas, se não nos limitarmos a raciocinar com base na nossa experiência e
conhecimentos, apenas, do mundo físico. Isto é, será muito mais produtivo
raciocinar sob uma perspectiva universal, em vez de terrena. Em outras
palavras, nossas ponderações devem levar em consideração o espírito em sua
própria natureza e não em sua condição temporária de encarnado.
(O autor é professor universitário em Belo Horizonte, MG)
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