Caminhos para o auto-conhecimento

Marisa Gomes Alvim  

Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? Estas três perguntas atormentam a mente humana há séculos, talvez milênios... Nós, humanos, necessitamos de definições e referenciais para designar aquilo que denominamos  eu. Conhecer o passado, nossa origem, nossa história é, de certa forma, responder à segunda pergunta e alicerçar a resposta da primeira. O auto-conhecimento facilita o planejamento do futuro para que possamos definir objetivos, para ter planos e realizar escolhas conscientes. É fundamental conhecer o próprio potencial e as próprias limitações para o bom desempenho em qualquer área, tanto em aspectos pessoais como profissionais.

A primeira pergunta – Quem sou eu? – permite-nos fazer certas considerações: somos a imagem que vemos no espelho, a imagem mental que fazemos de nós mesmos ou a imagem que os outros fazem de nós? Provavelmente somos as três coisas, simultaneamente. Tudo o que pensamos faz parte do eu, mas existem instâncias do eu que não podem ser percebidas pelo pensamento consciente. Isso significa que temos uma bagagem inconsciente que faz parte de nós e da qual muito pouco poderá ser acessada.

O Racionalismo Cristão nos ensina que somos Força e Matéria, e que, como Força, o espírito encarna inúmeras vezes, adquirindo sempre mais inteligência, mais luz, mais experiência, mais conhecimentos, mais clara concepção da vida e maior capacidade de raciocínio.

A segunda pergunta – De onde vim? – exprime a necessidade natural do ser humano de saber sua origem. A origem familiar, a história que ouvimos sobre nossa família, nosso país e nossa chegada servem de alicerce para que possamos construir a versão que nos acompanhará. Verdadeira ou não, será o referencial de passado a partir do qual a identidade é construída. Muitas angústias e dificuldades relacionam-se à história de nossa vida e à forma com que encaramos os fatos passados. Mudar os fatos não é possível, mas, por meio da análise, é possível reescrever essa história, interpretando-a e compreendendo-a, fazendo com que o presente se torne menos angustiante.

Existe também uma necessidade de conhecer o "eu" individual, antes do nascimento, motivada pela crença na reencarnação. E mais uma vez o Racionalismo Cristão nos fornece a resposta, nos esclarecendo que viemos das  primeiras 17 classes, separadas umas das outras, no Espaço, na ordem da sua importância. E aqui nos misturamos, intensamente, para a formação de povos de estrutura heterogênea, como convém ao mundo-escola que é o planeta Terra.

A terceira pergunta – Para onde vou? – talvez seja a mais difícil de ser respondida. É certo que não podemos prever o futuro, no entanto, podemos planejá-lo, estabelecer metas e planos. Para isso é imprescindível saber aonde queremos chegar e, obviamente, qual o ponto de partida.

Conhecendo o eu no presente, com suas virtudes e limitações, libertando-se de âncoras do passado e das inseguranças quanto ao futuro, é possível estabelecer planos realistas e alternativas viáveis para o que se almeja.

Estabelecer metas realistas dentro daquilo que é possível obter e a partir do que se tem é fundamental para evitar decepções futuras. É muito importante saber o que é possível fazer, em que nos damos bem e o que não temos condições (ou aptidão) para realizar. Em alguns casos, o auto-conhecimento obtido pelo processo analítico pode levar a criatura a rever sua carreira, descobrindo que deveria buscar outra profissão. É comum que o sujeito depare-se com sua verdadeira vocação ou descubra que os motivos que o levaram à escolha anterior refletiam os desejos de outras pessoas (por exemplo, dos pais) em vez dos próprios.

Ao se apropriar de seus desejos poderá escolher de forma mais consciente e permitir-se a realização. Pode, então, alcançar os objetivos que estabeleceu para sua satisfação, libertando-se das desculpas e justificativas que o impediam de progredir. E, seguindo os princípios do Racionalismo Cristão, o espírito pode ter certeza de que irá para um mundo mais esclarecido, mais evoluído, onde verá toda a sua trajetória evolutiva e onde poderá traçar novas metas para constituição de novos rumos: voltar a reencarnar, para novas aprendizagens ou trabalhar em corpo astral.

Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? Talvez nunca seja possível conseguir responder satisfatoriamente as três perguntas, porém as respostas parciais obtidas podem ser de grande valia para nosso progresso espiritual e realização pessoal.

(A autora é militante da Filial Jacarepaguá)

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