A vida no planeta Terra, do reino mineral ao hominal

Vantuil Fazollo

É voz corrente que, quando do início da formação da Terra, eram muitos os vapores e gases desprendidos em função do esfriamento da crosta terrestre, provocado pelo movimento gravitacional da massa fervente em torno do Sol, fazendo com que ocorressem os naturais choques dos átomos dos elementos que constituíam dita crosta, e acabaram por ocasionar a formação da atmosfera. Por conseqüência, diante da enorme evaporação, vieram as chuvas torrenciais que duraram intermináveis dias, provocando, segundo as leis naturais, a formação dos lençóis freáticos, das fontes de água, dos rios, dos lagos e dos oceanos, restando, por conseguinte, formados os ambientes adequados para as combinações dos elementos químicos egressos do Sol. Vieram então as primeiras fontes de vida, que tiveram lugar no reino mineral, ainda que de forma rudimentar.

É bem verdade, como é também sabido, que a vida existente no planeta Terra, como em quaisquer outros sistemas solares dispersos pela imensidão do Universo, é inascível, eis que tem origem na Força Criadora, na Inteligência Universal que a tudo deu origem. E é por isso que o Racionalismo Cristão não se cansa de asseverar: "As partículas da Inteligência Universal, em obediência às leis naturais e imutáveis, animam e movimentam os diversos reinos da natureza, estabelecem vida em todos os seres, a qual inicia na pedra, indo para os metais, depois para os vegetais, os animais e o homem, seguindo em constante ascensão para a Luz, para sua fonte de origem, que é o Grande Foco, incitador de tudo quando existe".

Nesta ordem de idéias, como é notório e, por certo, do conhecimento de todos os racionalistas cristãos, é o Universo - e por conseqüência a Terra, que dele é parte integrante - formado por Força e Matéria, que deve existirem em perfeita harmonia e evolução, como, aliás, o são todos os seres em evolução, inclusive o homem, que evolui dentro do reino hominal, e que é egresso do reino animal, mas que, antes disso, fez sua jornada nos reinos vegetal e mineral. Daí surgir a expressão "da pedra ao homem".

Bem a propósito, no decorrer dos estudos e pesquisas que desenvolvia este articulista para compor este trabalho, por uma grata surpresa, ao ler o jornal A Razão, do mês de agosto de 2004, deparou com o belíssimo trabalho intitulado Desdobrando o Universo como Força e Matéria, de autoria da competitíssima, ilustrada e estudiosa da Doutrina sra. Lília Rodrigues Paiva, mui digna presidente da Filial Belo Horizonte do Racionalismo Cristão, cujo texto, pela felicidade de expressão que ali está exposto, não se pode deixar de transcrever, ao menos em parte:

"Partindo-se do princípio de que todo o Universo se derivou da Força Criadora, da Inteligência Universal, somente essa Força é o supremo arquiteto do Universo, pois sempre foi vibração incessante, ininterrupta, concentração e saturação imensurável de poder e energia que se liberou para cada passo de formação da matéria."

"Como Força vibrante, essa vibração um dia foi se tornando mais intensa, a ponto de liberar energia, constituindo átomos que se aglomeraram, formando grandes bolsões e dando origem à primeira forma de matéria, que é a gasosa, vindo a surgir o hidrogênio. E, sempre se utilizando da vibração da Força associada ao hidrogênio, formou-se o hélio, e assim, continuamente, foram formando-se lítio, bário, carbono, nitrogênio, oxigênio, neônio etc., todos os gases nobres e não nobres."

"Da vibração da Força associada à matéria gasosa, deu-se a formação da matéria líquida - uma das mais preciosas é exatamente a água, cuja composição é a associação de duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio, matéria esta onde surgiram as primeiras espécies de vida orgânica e inorgânica. Da vibração da Força com a matéria gasosa e líquida, sob ação muito forte e predominante da Força sobre as duas matérias já com postas, originou-se a matéria sólida, composta pelos elementos como ou ro, cobre, manganês, sódio, zinco, gálio, níquel, titânio, ferro, potássio, cálcio e todos os elementos, conforme podemos observar na classificação periódica que é estudada pela Química."

"Todos esses elementos formam a matéria, que também está em constante evolução em todos os seus estados, propiciando, assim, que a partícula da Força Criadora, quando se desprende, possa vir passando por todos os reinos, do mineral ao animal, até chegar ao reino hominal, etapa final do reino animal."

"Às vezes, costumamos dizer que a partícula da Força dorme nas pedras porque é sedentária, mas há a atuação da vibração de energia dentro dela; acorda nas plantas, porque, apesar de serem fixas, já são seres vivos e necessitam de ar para viver; locomove-se nos animais, porque já têm aguçadamente a partícula de inteligência e podem deslocar-se de um lado para outro; e despertam no homem, porque este que a ciência denomina Homo sapiens já é portador da força como geratriz incomensurável, saturada de poder, que se denomina espírito, com os atributos de pensamento, raciocínio, livre arbítrio e força de vontade; e nesta condição ele precisa processar sua evolução milenarmente, para lapidar e atingir o ápice de evolução, a ponto de transladar-se aos mundos superiores e reintegrar-se ao Todo, à Força Criadora."

Diante dos notáveis e sábios ensinamentos reproduzidos, há que se dizer, que já no reino mineral existe o principio da vida, de vez que, nos dizeres do Racionalismo Cristão, colhem-se os ensinamentos de que "o globo terrestre é uma esfera de matéria organizada impregnada de forças que atuam diretamente sobre os átomos, constituindo-os, unindo-os e mantendo-os em equilíbrio, na sistemática de uma complexidade de movimentos".

Por conseguinte, já num notório quadro evolutivo, "a Força - que um dia será o espírito - é o atributo fundamental predominante no reino mineral", enquanto no reino vegetal já se denotam a Força e a vida propriamente dita e, por fim, no reino animal já existem a Força, a vida e a inteligência, não se podendo negar, todavia, a existência de vida no reino mineral e nem da inteligência no reino vegetal, sendo natural e, respectivamente, em menores proporções em função da escala evolutiva já alcançada no reino animal e no reino hominal, assinalando-se, a propósito, com suporte, ainda, nos ensinamentos do Racionalismo Cristão, que quando a Terra estava envolta num verdadeiro dilúvio, existiam em abundância, em meio à massa fervente, as substâncias químicas que integravam as águas e a atmosfera, destacando-se ali o elemento carbono e outros elementos químicos que deram origem às moléculas de carbono, de oxigênio, de hidrogênio, de nitrogênio etc.

Sempre de maneiras diferentes, essas moléculas se dividiam em duas outras e estas, do mesmo modo, sempre se dividiam em duas outras, e assim sucessivamente, restando criado o reino mineral que, evoluindo, chegou ao reino vegetal, atingindo o reino animal para aportar no reino hominal, tudo orquestrado pela Inteligência Universal que tudo rege. Estava concebido o homem com os seus três corpos: mental, astral e físico, notando-se, hoje, a predominância maciça do elemento carbono no corpo físico do homem, fato que ratifica o início de sua formação.

O autor é militante da Casa Chefe


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