Doença pulmonar obstrutiva crônica

Robinson Botelho de Faria

Bronquite crônica e enfisema pulmonar são provocados principalmente pelo tabagismo

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) caracteriza-se, como o próprio nome diz, pela obstrução ao fluxo aéreo. Nesta classificação encontramos a bronquite crônica e o enfisema pulmonar, doenças distintas no seu mecanismo de obstrução, porém muitas vezes encontradas no mesmo paciente e principalmente provocadas pelo tabagismo.

Fora o cigarro, poluição ambiental, fatores hereditários e infecções respiratórias recorrentes também estão implicados na DPOC, que normalmente não causa sintomas antes da quarta década de vida e pode levar à invalidez a partir da sexta década.

A bronquite crônica apresenta caráter obstrutivo pela secreção mucosa excessiva na árvore brônquica (os brônquios ficam entupidos de secreção e por isso não podem fazer ventilação adequada). As glândulas brônquicas ficam hipertrofiadas, inchadas e com características inflamatórias, levando à deformidade dos brônquios.

Clinicamente a bronquite crônica é definida pela presença de tosse com expectoração na maioria dos dias de três meses do ano, durante pelo menos dois anos consecutivos.

No enfisema encontramos grande distensão dos alvéolos pulmonares, que são as unidades de troca gasosa, com destruição dos septos que separam cada uma dessas unidades, obtendo grandes confluências dos mesmos, formando bolhas de ar que não têm função respiratória. Com a destruição alveolar, o pulmão perde sua elasticidade, ficando mais duro, o que prejudica a ventilação com o um todo.

Clinicamente evidencia-se uma falta de ar que vai agravando-se progressivamente no decorrer dos anos, com esfoço respiratório visível aos médios e pequenos esforços, fadiga fácil. Tosse com expectoração é mais encontrada na bronquite, mas pode apresentar-se também no enfisema, e lembramos que muitas vezes existem os dois problemas concomitantemente. História clínica, ausculta respiratória (diminuição dos ruídos e alguns chiados), provas de função respiratória, RaioX e tomografia selam o diagnóstico.

O tratamento visa principalmente a deter o processo de agressão ao pulmão, uma vez que as células destruídas não retornam ao normal, e por isso o fumo e a poluição devem ser afastados (não esquecer dos fumantes passivos). Existem medicações que melhoram os sintomas, proporcionando melhor qualidade de vida, porém não curam a doença. A boa hidratação ajuda a fluidificar as secreções pulmonares, sendo mais fácil expeli-las. Há necessidade de fisioterapia respiratória.

Como complicações, podemos observar:

a) insuficiência respiratória aguda (lembramos que a crônica já está instalada) que pode ser desencadeada por infecção respiratória simples e pode levar ao óbito;

b) tromboembolismo;

c) cor pulmonale, em que ocorre hipertrofia e dilatação do ventrículo direito, provocado pelo aumento das resistência da rede arterial pulmonar ao fluxo sangüíneo ejetado pelo coração;

d) pneumotórax espontâneo, que é o rompimento de uma bolha na enfisematose. Necessita procedimento cirúrgico e pode levar à morte se não tratado rapidamente.

Lembramos que a DPOC é uma grande agravante de complicações em cirurgias e pós-operatórios, muitas vezes contraindicando procedimento necessário (paciente não resistiria à cirurgia).

Ajude a combater o tabagismo, pois muitos males podem ser evitados e o cursto econômico e social de suas complicações é muito elevado.

(O autor é cirurgião torácico do Hospital Souza Aguiar)

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