Bullying, mal antigo de combate recente

Maria Cristina Silva Pereira

Fui vítima de bullying quando adolescente, mas só cheguei a essa conclusão um dia desses, conversando com minha filha sobre fato que se passou comigo no final da década de 60, quando cursava o antigo Curso Ginasial, equivalente às últimas séries do atual Ensino Médio.

Nessa época não se falava em bullying e penso que não se dava maior atenção, nos meios escolares, a atos agressivos, intencionais e repetitivos que ocorressem sem motivação evidente e em desigualdade de poder, praticados contra crianças e adolescentes.

Eu estudava numa escola só para moças e não fui perseguida pelas colegas, com quem tinha bom relacionamento. Era um pouco tímida, meio desajeitada, sem nenhuma intimidade com esportes, razão por que a professora de Educação Física me presenteou com o solene rótulo de Dona Abóbora.

Fiquei chateada, é claro, e lembro-me de minha avó, muito contrariada com a situação, estimulando meus pais a irem à escola para reclamar da professora. Pelo que sei, isso nunca aconteceu. Minha mãe deve ter me acalmado, nem lembro como as coisas se acomodaram.

O tempo passou e, apesar da situação constrangedora, continuei a estudar na mesma escola até a conclusão do Curso Normal, com a mesma professora de Educação Física sempre presente.

Superei essa etapa. Afinal, com o passar do tempo vamos amadurecendo, e com apoio da família a autoestima vai se fortalecendo. O fato é que não tive ímpetos de vingança, nunca pensei em dar o troco à professora.
Nem sempre, porém, as coisas acontecem assim. Pelo que vemos no noticiário, o bullying pode levar pessoas a cometerem desatinos, verdadeiras tragédias.

Alguém poderá argumentar que o episódio ocorrido comigo não foi tão sério assim. É verdade, mas o bullying tem dois componentes: de um lado, a vítima, e de outro, o agressor ou agressores. E o grau de gravidade do processo depende do nível da agressão e da sensibilidade da vítima.

Quando a vítima tem uma história de vida com grandes dificuldades, uma infância triste, desamparada e sofrida, e ainda se depara com pessoas desrespeitadoras, que têm prazer em fazer o seu semelhante sofrer, enfrentará verdadeiras batalhas para as quais provavelmente não estará preparada.

Os agressores têm como hábito humilhar aqueles que escolhem para vítimas, não raro, arquitetando armadilhas para atingi-los física e moralmente.

Configura-se um quadro propício à obsessão em ambos os lados. Os pensamentos negativos, a fragilidade emocional, a baixa autoestima, o isolamento, fatores muitas vezes associados ao fanatismo religioso, abrem espaço para atuação do astral inferior sobre a vítima. Essa atuação pode iniciar-se de maneira sutil e se estender por muito tempo, tornando-se cada vez mais intensa e até perigosa, levando a vítima a tornar-se agressora, geralmente, em busca de justiça.

Da mesma forma, com a sintonia de pensamentos afins, o astral inferior intui os agressores, que usam a inteligência e a criatividade para engendrar suas ações malévolas. Como a união faz a força, unem-se espíritos encarnados e desencarnados em torno de um só intento: atingir outrem, moral e/ou fisicamente.

A partir do momento em que estudiosos explicam o fenômeno do bullying acende-se a luz da advertência para que a sociedade passe a olhar o assunto com maior interesse e cuidado.

Famílias e professores constituem os grupos mais próximos a vítimas e agressores e devem aprender a observar detalhes que indiquem que essas desordens emocionais estão acontecendo. Vale a pena consultar matéria de autoria de Tharsila Prates publicada na edição de maio de A Razão, sob o título Pais, atenção ao bullying.

Quanto mais cedo os responsáveis perceberem que uma criança ou adolescente esteja sendo alvo de bullying ou que crianças e jovens estejam praticando ações que levam ao bullying, maiores serão as chances de se evitar o agravamento desse mal e, por conseguinte, que se chegue a ações desesperadas e desastrosas.

Os seres encarnados precisam conhecer-se como Força em evolução (espírito) que, para isso, faz uso da matéria (corpo), para que possam compreender a necessidade de preservar esse corpo o melhor possível, evitando situações que possam levar à morte prematura, por exemplo.
O espírito também precisa de cuidados, de bom direcionamento, para que se aprimorem suas qualidades e que se abrandem suas dificuldades, garantindo, assim, o bom aproveitamento da encarnação com vistas à sua evolução. Tratando-se de crianças, essa tarefa cabe aos adultos responsáveis por elas.

Crianças e jovens precisam ser amados, respeitados, educados, e devem ser estimulados a desenvolver hábitos de respeito ao próximo, a cultivar bons pensamentos, a fortalecer a vontade para a prática do bem, a não desejar para outros o que não querem para si, entre tantos outros princípios que, com certeza, os deixarão menos vulneráveis à ação do astral inferior. É, também, muito benéfica a prática diária da limpeza psíquica no lar, preferencialmente nos horários das 7 horas da manhã e 20 horas.

Essas orientações fazem parte dos princípios racionalistas cristãos que os interessados poderão conhecer ao ler as obras essenciais da Doutrina: Racionalismo Cristão, 44ª edição e Prática do Racionalismo Cristão, 13ª edição.
 

(A autora é frequentadora da Filial Santos, SP)

Página principal | Arquivo