Pais, atenção ao bullying

Tharsila Prates

Depois que o vídeo de um garoto gordinho arremessando um magrinho virou febre na internet, a questão do bullying voltou à tona. Na verdade, ela teve importância de novo para a imprensa, porque, nas escolas, nunca houve interrupção. Segundo educadores, o problema é recorrente e se apresenta em vários níveis.

É o gordo falando do magro e vice-versa; é o chamado CDF sendo “espinafrado” por tirar notas boas, sentar na primeira fila de carteiras e responder a todas as perguntas do professor; é o alto falando do baixo e vice-versa; o rico falando do pobre; o nascido na capital falando do que nasceu no interior; e diversos outros exemplos.

Não é preciso raciocinar muito para entender que, por trás de todos esses comportamentos, está o desrespeito ao outro e a falta de freio na agressividade que marca crianças e adolescentes. Vamos, então, à definição de bullying, para ajudar os pais a identificar se os filhos andam sendo vítimas de colegas ou agredindo algum deles.

Bullying é um termo em inglês (bully – valentão) utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos, com o objetivo de intimidar ou agredir uma ou mais pessoas incapazes de se defender. Também existem as vítimas/
agressoras, ou autores/alvos, que em determinados momentos cometem as agressões, mas também são vítimas de bullying pela turma.

O que marca esse fenômeno são a intimidação e a humilhação usadas pelo praticante para atormentar a vítima. Especialistas orientam as escolas a trabalharem o assunto em sala de aula (e é fato que um trabalho pedagógico bem feito reverte a situação) e os pais a ficarem atentos a comportamentos diferentes do filho que possam acusar que ele anda sofrendo na escola. Um exemplo disso é a criança se recusar a frequentar as aulas.

Se a criança ou adolescente quer ser agressor, e não vítima, o diálogo constante entre a família e a escola pode ajudar na identificação do problema. Além disso, uma educação pautada em valores como o amor e o respeito evita que todos passem por esse tipo de situação.

(A autora é frequentadora da Filial São Paulo, SP)

Veja o que não pode

Veja exemplos do que pode ser considerado bullying:
• Insultar a vítima
• Acusar sistematicamente a vítima de não servir para nada
• Ataques físicos repetidos contra uma pessoa, seja contra o corpo dela ou propriedade
• Interferir com a propriedade pessoal de alguém, livros ou matéria
• escolar, roupas etc., danificando-os
• Espalhar rumores negativos sobre a vítima
• Depreciar a vítima sem qualquer motivo
• Fazer com que a vítima faça o que ela não quer, ameaçando-a para seguir as ordens
• Pôr a vítima em situação problemática com alguém
• Fazer comentários depreciativos sobre a família de uma pessoa (particularmente a mãe), sobre o local de moradia de alguém, aparência pessoal, orientação sexual, religião, etnia, nível de renda, nacionalidade ou qualquer outra inferioridade depreendida da qual o bully tenha tomado ciência
• Isolamento social da vítima
• Usar as tecnologias de informação para praticar o cyberbullying (criar páginas falsas, comunidades ou perfis sobre a vítima em sites de relacionamento, com publicação de fotos etc.)
• Chantagem
• Usar de sarcasmo evidente para se passar por amigo (para alguém de fora) enquanto assegura o controle e a posição em relação à vítima
• Expressões ameaçadoras à vítima
• Grafitagem depreciativa;
• Fazer com que a vítima passe vergonha na frente de várias pessoas

PROFESSOR. É interessante ainda prestar atenção a alguns comportamentos que o professor não deve ter em sala de aula. As práticas a seguir podem configurar bullying entre professor e aluno:
• Intimidar o aluno em voz alta, rebaixando-o perante a classe e ofendendo sua autoestima. Uma forma mais cruel e severa é manipular a classe contra um único aluno, expondo-o à humilhação
• Assumir um critério mais rigoroso na correção de provas com o aluno e não com os demais. Alguns professores podem perseguir estudantes com notas baixas
• Ameaçar o aluno de reprovação
• Negar ao aluno o direito de ir ao banheiro ou beber água, expondo-o a tortura psicológica
• Difamar o aluno no conselho de professores, aos coordenadores, e acusá-lo de atos que não cometeu;
• Tortura física, mais comum em crianças pequenas: puxões de orelha, tapas e cascudos

Fonte: Wikipedia

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