100 anos do RC em Cabo Verde

Beatriz Melo

A chegada do Racionalismo Cristão ao arquipélago de Cabo Verde, há 100 anos, foi comemorada de 31 de outubro a 5 de novembro. Foi uma semana de trabalho nesse país em que o Racionalismo Cristão concentra grande número de participantes.

Essa filosofia espiritualista, que foi implantada no Brasil em 1910, com a finalidade de esclarecer os seres humanos, mostrando-lhes que precisam conhecer-se na essência para terem uma vida melhor, chegou a Cabo Verde no ano seguinte e lá fincou raízes.

Na semana de comemorações, centralizadas na Ilha de São Vicente, foram realizadas palestras, conferências e reuniões de trabalho, além de haver sido lançado o livro História do Racionalismo Cristão em São Vicente, de autoria de João Vasconcelos, antropólogo e investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

O autor, com a imparcialidade de cientista investigador, coletou dados durante sete anos, pesquisa esta que deu origem a sua tese de doutoramento em Lisboa. Em um dos trechos do preâmbulo do livro, João Vasconcelos diz: "O convívio com gente de todas as classes no Mindelo e nas fraldas da cidade foi-me fazendo ver o quão disseminado e enraizado estava o Racionalismo Cristão na Ilha do Porto Grande".

A Ilha de São Vicente recebeu presidentes, militantes e amigos das casas racionalistas cristãs das outras ilhas e do exterior.

Os cabo-verdianos, em períodos muito difíceis, precisaram deixar sua terra para lutar pela sobrevivência em outros países. Por isso, formaram grande comunidade nos Estados Unidos, e em todas as localidades onde se estabeleceram procuram erguer uma casa racionalista cristã.

Eles migraram também para a Europa, se fixaram em muitos países e fundaram Correspondentes, já alguns elevados à categoria de filiais da Casa-Chefe, todas essas Casas comandadas por cabo-verdianos incrivelmente fortes e desprendidos para essa tarefa.

Quando estamos naquelas ilhas, sentimos a diferença na atmosfera de tranquilidade, no povo educado e cortês, que recebe a todos com simpatia e demonstra o amor e dedicação que tem pela doutrina racionalista cristã. Nas ruas não existem semáforos, todos transitam e se respeitam pela cortesia. Motoristas, civilizadamente, param os carros para o pedestre passar.
Para se entender melhor esse povo africano, é preciso olhá-lo com os olhos da alma; só assim se pode sentir o real valor do trabalho que realiza e quão importante é esse trabalho para o bem-estar da humanidade.

(A autora é diretora da Filial São Paulo)

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