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Cachorro, au, au! Gato, miau!
Luiza José Nunes de Farias Biba, uma menina de cinco anos, confidenciou a sua avó que sabia seu verdadeiro nome, porém preferia usar o apelido "por e não onse ia falar Abriela, muito menos achorro e ato. Ao substituir Gabriela por Biba; au! au! Por cachorro; e miau! Por gato, onse ia disfarçar seu problema."Carlos Augusto, um menino de seis, "batia nos toledas por te, por puro deboche o chamavam de Tarlos Audusto". O irmão caçula de Vanessa, só por implicância, a chamava de Sanessa, sassoura, sorsete e sagalume, deixando aos prantos a meiga menina, no auge de seus seis anos. O que havia de comum entre os três era uma grande dificuldade de articular determinados fonemas e uma história de muitos constrangimentos, apesar da pouca idade. Gabriela omitia os fonemas "k" de cachorro e "g" de gato. Carlos augusto trocava-os pelos fonemas "t" e "d". Vanessa trocava o "v" pelo "s". Os fonemas estão para a fala, da mesma forma que as letras estão para a escrita. Trata-se de sons articulados, cada qual com o seu ponto de referência, o seu desenho dentro da boca. Carlos Augusto e Gabriela tinham dificuldade para elevar o dorso da língua e pressioná-lo contra a parede do palato mole. Vanessa não conseguia impedir que a ponta da língua se movesse para fora da boca, quando articulava o "v". Cebolinha, o amiguinho da Mônica, não consegue vibrar a ponta da língua, por isso ele fala tlinta e tlês ao invés de trinta e três. As trocas, omissões, agregações, e distorções de fonemas são distúrbios decorrentes da mobilidade insuficiente de um ou de vários componentes do aparelho articulatório. Em geral acontece por falta de percepção do som, que, após sua produção na laringe, se modifica na cavidade intra oral, por ação da língua, das bochechas, do palato mole, dos lábios, e pela coordenação desses componentes entre si. Há crianças que, involuntariamente, usam sua forma diferente de falar para chamar atenção, outras não articulam corretamente por discreta imaturidade neurológica, alteração anatômica, ou até mesmo por faltar correção e estímulo vindos dos adultos. Solicitar carinhosamente à criança que articule corretamente uma palavra, que ouça com atenção e repita é um bom exercício. Analisar em si o movimento que realizou e tentar transmitir-lhe essa sensação pode ser a chave do sucesso. Frases simples de encorajamento, elogios e uma boa dose de paciência causam grande impacto e estimulam a vontade de realizar. Quando, apesar dos esforços, persistirem os sintomas, é hora de procurar ajuda profissional. Normalmente, a partir dos cinco anos, a criança é capaz de articular perfeitamente todos os fonemas que compõem as palavras dentro de uma frase. Quando ocorre o contrário, passa a chamar uma certa atenção, não só dos adultos, mas principalmente das crianças de mesma faixa etária. Estas últimas, por força da inocência, não só percebem como criticam. São atitudes que, a longo prazo, podem somar ao distúrbio de fala um distúrbio de comportamento, podendo até prolongar-se pela vida adulta. Prevenir ainda é o melhor remédio, e nesses casos tem gostinho de brincadeira. A criança consegue corrigir-se enquanto se diverte durante as terapias, e o tratamento dura em torno de seis meses, quando não há comprometimento de outra natureza. E para finalizar... É bom lembrar que Biba, Tarlos Audusto, e Sanessa fizeram tratamento. Hoje com muito orgulho dizem seus nomes: Gabriela Cristina, Carlos Augusto e Vanessa. A autora é Fonoaudióloga, freqüentadora da Filial São João de Meriti, RJ |
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