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Gilberto Silva 

O papel do líder

Quando, como líderes, pensamos que todos os que nos rodeiam estão para servir a nós e ao nosso sucesso, não somos líderes – somos tiranos. Somente depois de passarmos por uma transformação psicológica, emocional e espiritual, percebendo que nossa tarefa é servir, mereceremos ser chamados de líderes.”

Esse lúcido pensamento sobre liderança foi externado pelo norte-americano Dee Hock Ward e expressa de forma inequívoca que o líder, seja em qual campo da atividade humana for, deve refletir sobre a forma como exerce seu papel dentro do grupo de pessoas onde atua.

No Racionalismo Cristão, como todos sabem, o trabalho dos nossos militantes é voluntário e, em cada núcleo, há lideranças que sempre foram incentivadas a exercer seu trabalho com tolerância, respeito e, acima de tudo, dando exemplos de dignidade, com o cumprimento da disciplina preconizada nos livros da Doutrina e defesa dos nossos princípios espiritualistas.

Se aqui fôssemos mencionar nomes de pessoas que exerceram ou que exercem liderança nas fileiras racionalistas cristãs com maestria e seguindo a máxima de Dee Hock, sem nunca ter ouvido falar dele ou muito antes dele haver expressado sua constatação como líder, teríamos que preencher várias páginas do nosso jornal A Razão, mas vale destacar desses dedicados servidores da humanidade uma característica em comum: amor ao próximo. E isso não se ensina às pessoas, por ser atributo do espírito.

Não obstante esta característica primordial no traço da personalidade, existem outros aspectos necessários para que um bom líder desenvolva seu trabalho dentro do Racionalismo Cristão. Poderíamos citar questões como a comunicação verbal ou as administrativas, por exemplo. Para tanto, foram desenvolvidos manuais abordando esses e outros temas relacionados às atividades de uma casa racionalista cristã e, a partir desses manuais, foram ministrados treinamentos, realizadas reuniões; diálogos francos e abertos em muitos casos propiciaram o reposicionamento de atividades que mais se encaixam no perfil de cada pessoa.

Temos consciência de que esse movimento é lento, e tem que ser mesmo, pois reflete até uma mudança cultural, e isso não se dá do dia para a noite. Constatamos, porém, que uma das medidas que vêm contribuindo para o surgimento de novas lideranças e o seu desenvolvimento natural foi a criação dos conselhos locais em nossas Casas. Por meio desse novo e importante órgão, que não existia até o início de 2009, atribuições e responsabilidades começaram a ser compartilhadas, assim como o aprendizado com nossos líderes mais experientes, que ofereceram espaço para o desenvolvimento de atividades às novas gerações.

Sabemos que aindamuito que se fazer e vemos com satisfação o surgimento de novos líderes que, com entusiasmo, estão querendo compartilhar com os demais seus conhecimentos pessoais e profissionais. Assim, nos cabe incentivar para que novos treinamentos surjam e ajudem a florescer os atributos naturais dos nossos voluntários, em especial, nos aspectos de liderança para ajudá-los a identificar seus estilos, motivando-os a cultivar a arte de ouvir e interagir para motivar as pessoas para o trabalho em equipe, a utilizar a autoridade de líder e não de chefe, uma vez que essa figura não existe em nossas Casas; a compreender melhor e agir como servidores e, claro, ajudar a formar novos líderes.

Lembramos aqui um admirável líder, Humberto Romanelli, com quem tivemos o privilégio de conviver. Ele sempre nos dizia: “a Doutrina vai crescer quando tivermos escola para presidentes”. Inspirados nele e em outros líderes que tinham a mesma visão do mestre Romanelli, foram criados os treinamentos para doutrinadores, atendimento ao público, desenvolvimento de médiuns, práticas administrativas, métodos de divulgação e outros. Assim, podemos afirmar que esse crescimento está acontecendo naturalmente e mais rapidamente se acelerará com o desenvolvimento de novas lideranças sensíveis e conscientes do seu verdadeiro papel, que é o de servir à humanidade, à Doutrina e, naturalmente, ao grupo que lidera.

A imagem que, para nós, melhor ilustra o papel do líder servidor é aquela dos pássaros voando em formato de V (formação em Delta), tendo à frente um líder que é incentivado pelos demais a vencer a força do vento contrário e, quando cansado, tem sempre outro pássaro para substituí-lo no vértice do V, e ele volta para o último lugar e continua incentivando quem o substituiu. Que belo exemplo para nós, humanos!

Boa leitura!

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