Olá, CARO leitor

Gilberto Silva 

100 anos de lutas e vitórias

O Racionalismo Cristão, esta jovem e vigorosa doutrina, chega aos cem anos com imensa bagagem de realizações em proveito da humanidade, seja pelo esclarecimento espiritual difundido através de seus escritos, seja pelo bem-estar proporcionado através de milhões de reuniões públicas, de desdobramento e de atendimento personalizado realizadas nas casas racionalistas cristãs.

A tríade responsável por esse trabalho exitoso em benefício dos nossos semelhantes é composta pelo Astral Superior, pela Disciplina e pelos Voluntários da Doutrina.

Ao longo desse primeiro século de existência, a Doutrina contou com o trabalho dedicado de milhares e milhares de pessoas que, utilizando-se desta poderosa ferramenta, o Racionalismo Cristão, puderam externar amor aos seus semelhantes. E, dentro do natural processo de renovação, muitos outros milhares de seres abnegados virão para dar continuidade a esse trabalho magnífico.

Os fundadores da Doutrina, Luiz de Mattos e Luiz Thomaz, foram exemplo e fonte de inspiração para muitos que os conheceram ou que tomaram conhecimento de suas vidas e de suas lutas.

Podemos destacar, dentre aqueles que bem souberam seguir os exemplos dos mestres fundadores, Antonio Cottas que, desses cem anos, esteve à frente da Doutrina por 57, sendo considerado por todos, com total justiça, o consolidador do Racionalismo Cristão.

Numa administração magistral, Antonio Cottas dinamizou a Doutrina, tanto na parte doutrinária como na material. Foi um período fertilíssimo também em termos de expansão, com dezenas de novas casas abrindo suas portas para o público ávido de conhecimentos espiritualistas.

Trabalhador incansável, exímio administrador e com inteligência privilegiada, Antonio Cottas escrevia muito bem, fosse revisando obras ou criando-as. São de sua autoria, por exemplo, os 26 volumes de Cartas Doutrinárias, coleção de perguntas e respostas formuladas por pessoas que escreviam para a Casa-Chefe do Racionalismo Cristão e recebiam verdadeiras aulas do Sr. Nascimento, como era chamado pelos seus amigos, orientando-os como proceder para alcançar a almejada felicidade. Vale dizer que em todas elas, pela humildade, apenas assinava seu nome de forma abreviada, sobre as palavras: "pelo Centro Redentor".

À cabeceira da mesa da Casa-Chefe e também das casas racionalistas cristãs que tinha oportunidade de visitar, Antonio Cottas encantava com sua sabedoria, poder de síntese e capacidade de transmitir os ensinamentos espiritualistas que, de forma prática, resolviam os problemas dos seus ouvintes.

Infelizmente, porém, naqueles 57 anos houve muitas dificuldades, incompreensões, e Antonio Cottas teve que se valer de toda a sua determinação para enfrentar os problemas, os quais venceu sempre com galhardia e com a colaboração de verdadeiros amigos. Foram, muitos episódios, situações e até perseguições. Contava-nos um dos grandes amigos de Antonio Cottas, nosso querido Antônio Flôr, presidente da Filial São Paulo, que, diante de tantas ameaças à integridade física de Antonio Cottas, pedia a alguns valorosos militantes da Filial que o protegessem quando tinha que ir a Santos para defender os interesses da Doutrina, face ao testamento de Luiz Thomaz.

No Rio de Janeiro não era diferente e Manuel Luiz Garcia, Emir Nunes de Oliveira, Roberto Dias Lopes e tantos outros valentes amigos o defendiam de situações reais em tentativas de alijá-lo do comando da Doutrina para, evidentemente, prejudicá-la.

Quando, em 1983, Antonio Cottas, deixou este mundo físico, assumiu em seu lugar o Dr. Humberto Machado Rodrigues. Iniciou-se, então, uma nova fase de expansão da Doutrina, desta feita com ênfase na expansão para outros países. Para isso, o nosso mestre e amigo Dr. Humberto tratou rapidamente de introduzir mudanças na prática do Racionalismo Cristão, as quais, em muito, aceleraram esse processo de desenvolvimento. Assim, foram reduzidas de 13 para cinco as nossas reuniões semanais.

Se, do ponto de vista da prática da Doutrina, as coisas caminhavam em ritmo acelerado nessa nova fase expansionista, não obstante a inveja e ações desairosas de alguns poucos que tantos aborrecimentos e retardos promoveram, no aspecto material a estrutura organizacional que Antonio Cottas havia tão bem criado e gerido, começava a criar sérios entraves para a continuidade da independência material da Doutrina, devido a fatores externos, como a galopante inflação vivida naquele período pelo Brasil. Para se ter ideia, houve mês, naquele período, em que a inflação chegou a absurdos 84%. A situação ficara insustentável porque, em sua maioria, os recursos provinham de alugueis, que não sofriam reajustes correspondentes.

Dr. Humberto, homem extremamente preparado por Antonio Cottas, seu tio, para assumir os encargos da presidência, erudito, estudioso profundo do espiritualismo e emérito doutrinador, sabia transmitir sua bagagem espiritual como poucos e nunca escondeu de seus amigos que não era muito versado em finanças como o fora seu antecessor. Desta forma, a exemplo de Luiz de Mattos, ele dizia que, em sua gestão necessitava de um "Luiz Thomaz" para gerir os negócios da Doutrina. No entanto, com calma, perseverança e extremo sacrifício pessoal, soube esperar, mas lutando sempre, como ainda nos ensina, até que, no início da década de 90 do século passado, nomeou para vice-presidente e, por consequência estatutária, o responsável pelo patrimônio material, nosso querido João Gomes. Homem experiente no comércio, em especial no ramo imobiliário, desprovido de vaidades e extremamente dedicado ao trabalho, logo conseguiu repor as finanças em ordem, não obstante as dificuldades ocasionadas pelos problemas estruturais da economia que atravessava o país.

Só assim o Dr. Humberto voltou a ter tranquilidade para retomar suas atividades doutrinárias, com destaque para o centenário de nascimento de Antonio Cottas, comemorado em grande estilo na Casa-Chefe em 1992, e o retorno de viagens a casas racionalistas cristãs do Brasil, da Europa e dos Estados Unidos, que resultaram em novo impulso no desenvolvimento da Doutrina.

Aqueles anos de grandes lutas e superações, porém, a exemplo do que acontecera com Luiz de Mattos e Antonio Cottas, deixaram em Humberto sequelas físicas que o obrigaram a antecipar o seu projeto de diminuir o ritmo de trabalho a partir dos 80 anos de idade, no Centenário da Doutrina, e transmitir ao seu sucessor parte de seus encargos, a exemplo do que haviam feito os mestres Luiz de Mattos e Antonio Cottas. Assim, o nosso querido Dr. Humberto se viu obrigado a fazê-lo no início de 2004.

Com o caminho pavimentado pela sabedoria e perspicácia do nosso querido mestre e amigo Dr. Humberto, é nosso dever reconhecer que tudo que foi feito de 2004 até agora em benefício da Doutrina devemos a ele, que, apesar do seu afastamento físico, está sempre presente em nossas decisões com os exemplos deixados em sua profícua gestão.

Assim, amigos, a Doutrina racionalista cristã chega aos seu primeiro século de existência e fazemos nossas as palavras de Humberto Machado Rodrigues de que serão necessários ainda muitos séculos para o esclarecimento espiritual da humanidade. Então, vamos à luta, sem esmorecimento.

Feliz Centenário a todos!

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