Olá, CARO leitor

Gilberto Silva 

Mais de 250 mortes na conta da omissão oficial
 

As enchentes no Estado do Rio de Janeiro este ano foram catastróficas. Mais de 250 mortes, a maioria vítima de deslizamentos em encostas, ou seja, casas em áreas de risco. Podemos concluir, então, que essas perdas poderiam ter sido evitadas se houvesse maior consciência dos responsáveis e não omissão, como tem sido comum. Tão nefasta quanto a omissão é a demagogia de políticos que se interessam pelos votos daqueles que, não tendo opção melhor, devido à falta de políticas públicas objetivas e consistentes, se aglomeram em morros, muitos formados por depósitos de lixo. São esses falsos beneméritos que incentivam essas ocupações e até dão aos ocupantes ajuda material em troca de votos nas eleições.

Em 1960, um em cada dez moradores da cidade do Rio de Janeiro vivia em favela; hoje, é um em cada cinco moradores, ou seja, 1,3 milhão de pessoas. O poder público não faz vista grossa para o problema, como incentiva esse descalabro, promovendo melhorias – água encanada, energia elétrica, asfalto etc. Nada contra as melhorias, é claro, mas se há recursos para elas, por que não remover as famílias das áreas de risco para lugares onde elas possam viver com dignidade? O sociólogo Bolívar Lamounier tem a seguinte opinião sobre o problema: "O fenômeno da favelização no Rio é consequência do relaxamento moral e jurídico". 

O problema da favelização existe há décadas e décadas, sempre com o descaso das autoridades, mas o processo se acelerou na década de 50 com a chegada de brasileiros de outras localidades do País em busca de trabalho e agravou-se nos anos 80, quando o governador Leonel Brizola incentivou abertamente a ocupação dos morros, onde fincou seus currais eleitorais, chegando ao cúmulo de proibir a entrada da Polícia nas favelas, o que facilitou o banditismo que tem sido combatido atualmente.

Portanto, é mais que passada a hora de os governantes enfrentarem o problema, como tem que ser feito, inclusive, vencendo com ações firmes e construtivas a opinião de parte da bancada legislativa composta por políticos que têm interesse em manter a situação atual, para continuar trocando votos por bonés e camisetas e que são os primeiros a fazer pressão contra iniciativas de remoção das pessoas para evitar que sejam as próximas vítimas de deslizamentos.

Porém, não se pode repetir os erros do passado, como o que aconteceu na década de 60, quando o governador Carlos Lacerda, de forma truculenta, removeu os moradores de doze favelas do Rio para conjuntos habitacionais que acabaram se favelizando em consequência do abandono do poder público.

É preciso criar áreas com boa infraestrutura, onde haja saneamento básico, transporte público decente, creches e outras melhorias básicas para que as pessoas possam ser incentivadas a se mudar. O exemplo pode ser observado na África do Sul, onde, na década de 90, durante o governo de Nelson Mandela, perto de 5 milhões de pessoas foram removidas de favelas – aproximadamente 10% de toda a população sul-africana. Seria como se, no Brasil, 20 milhões de pessoas que hoje moram de forma precária fossem transferidas para moradias dignas. Dinheiro, sabemos, não falta, caso contrário o Rio não teria utilizado apenas 0,9% dos recursos federais destinados em 2008 para obras de prevenção de desastres. Isto para citarmos apenas uma rubrica das fontes de recursos. Falta, sim, vontade política e um programa habitacional sem demagogias.

Por outro lado, a população também precisa ser educada para não despejar lixo nas encostas e nas ruas, porque entope bueiros e agrava a situação, em caso de enchentes. Aqueles que ficaram ilhados na noite da maior enchente no Rio de Janeiro desde 1912, além do pavor pelo risco inerente ao alagamento, puderam constatar a imensa quantidade de lixo boiando no aguaceiro, fruto da falta de consciência dos munícipes, que jogam de tudo nas ruas.

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Teremos neste mês mais um evento em comemoração ao centenário de fundação do Racionalismo Cristão e sesquicentenário de nascimento do seu fundador, Luiz de Mattos. Desta feita, nos Estados Unidos, na cidade de Providence, Rhode Island. Teremos solenidade cívico-espiritualista na sexta-feira, dia 28, e, no dia seguinte, o seminário "O Racionalismo Cristão no século XXI". Será uma grande alegria poder nos congraçar com os racionalistas cristãos de várias partes do mundo que estarão para prestigiar esse histórico evento.

Boa leitura!

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