|
Olá, CARO leitor
Gilberto Silva
Carnaval, festa de arte e beleza além da matéria
As reuniões públicas de limpeza psíquica e esclarecimento espiritual são
realizadas todas às segundas, quartas e sextas-feiras nas casas
racionalistas cristãs, exceto na segunda-feira de carnaval e nos dias 24, 25
e 31 de dezembro e 1º de janeiro, se essas datas caírem num dos dias da
semana mencionados.
Com a expansão da Doutrina, principalmente para outros países, começamos a
ser questionados com relação à supressão da reunião no carnaval, e o livro
PRC13, lançado em 2009, tornou a realização das reuniões no carnaval
facultativas, uma vez que, em muitos lugares no planeta, não há esses
festejos populares ou, se há, não interferem tanto na vida das pessoas como
aqui no Rio de Janeiro, por exemplo.
O motivo pelo qual não são realizadas no carnaval as reuniões na Doutrina
sempre foi o de poupar os nossos frequentadores e militantes da confusão que
se instala em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e muitas
outras, seja no trânsito, com a consequente dificuldade de locomoção, seja
pelos exageros e atitudes desrespeitosas que muitas pessoas cometem nas
ruas.
As festas carnavalescas no Brasil foram adaptando-se aos costumes e gostos
locais, misturando-se com a música, por exemplo, e, evoluindo do entrudo,
trazido pelos portugueses, provavelmente no século XVI, e que se tornou
brincadeira de rua agressiva e grosseira, que foi proibida a partir de 1830,
o carnaval se tornou um grande espetáculo, principalmente em cidades como o
Rio de Janeiro e São Paulo.
Dessa forma, nas grandes cidades foram criados locais para desfiles, os
chamados sambódromos, para que as agremiações, que se preparam o ano todo e
empregam milhares de trabalhadores, apresentem um show de arte transmitido
ao vivo por emissoras de televisão, com audiência garantida, como o caso do
carnaval do Rio de Janeiro. Sem falarmos na presença maciça de turistas do
mundo todo que aproveitam para assistir ao espetáculo e gozar do Verão e
aqui deixam milhões de dólares e euros.
O carnaval destaca a beleza, acima de tudo, mas não seria a beleza, no caso
do carnaval, algo ligado exclusivamente à matéria? Tomemos como exemplos a
música, erudita ou popular, a escultura a pintura... e poderemos ter a
resposta: a beleza é muito mais do que a soma dos materiais empregados na
obra de arte, do que a combinação do esforço físico e intelectual com as
disponibilidades de tempo e espaço e, muitas vezes, surge e se desenvolve em
sentido diverso do que caminha a sociedade em que se insere o artista. Ora,
se um Rembrandt não é um amontoado de tintas emoldurado, se Os Lusíadas não
são apenas uma história contada em versos e se La Pietà não é vista somente
como um bloco de mármore escavado (abstraia-se qualquer conotação
religiosa), por que ver o carnaval como festa da matéria? Como esconder a
arte e, consequentemente, a beleza que a festa expõe? Como negar a
criatividade, a capacidade inventiva dos carnavalescos em todo o Brasil e em
outras partes do mundo? Não estamos, pois, tratando aqui de questões
materiais, mas de aspectos que podem ser percebidos pela sensibilidade da
alma.
Bem, como nós, há os que nessa época do ano prefiram a paz bucólica do campo
ao som frenético das baterias ritmadas das escolas de samba, mas não podemos
deixar de reconhecer que o carnaval atual consiste-se num grande espetáculo
de arte e beleza que chega a ser considerado por muitos como a oitava
maravilha do mundo.
Boa Leitura!
Página principal | Arquivo |