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Olá, CARO leitor
Gilberto Silva Crise mundial não é financeira; é moral O mundo viveu, nesse último mês, um verdadeiro setembro negro, acossado principalmente pela desvalorização das bolsas de valores. Alguns ativos, literalmente, viraram pó. Grandes bancos de investimentos americanos, tidos como verdadeiras potências financeiras, simplesmente faliram ou foram vendidos por valores aviltados. A situação só não está pior com essa crise de confiança porque o governo americano decidiu "gastar centenas de bilhões de dólares" para "desintoxicar" os bancos com dívidas podres em seus balanços, como disse Henry Paulson, secretário do Tesouro americano. Para se ter uma idéia, havia bancos de investimento americano que emprestaram 31 vezes o que realmente dispunham em seus caixas (Merril Lynch), através do processo que eles denominam "alavancagem" e que não passa de um jogo especulativo. Há muito que se assiste à elevação dos ativos financeiros mundiais em relação ao produto interno bruto (PIB) dos países. Em 1980, os ativos financeiros somavam US$ 12 trilhões de dólares frente a US$ 10 trilhões do PIB mundial. Em 2006, os ativos financeiros saltaram para US$ 170 trilhões (crescimento de 1300%), enquanto o PIB mundial aumentou para US$ 48 trilhões (crescimento de 380%). Esses US$ 170 trilhões são a soma de 4 quatro grandes grupos de ativos financeiros, como se pode ver no gráfico. Então, com tanto dinheiro, capital que produziu liquidez mundial e ajudou milhões de pessoas através do crescimento de seus países, como a China, o Brasil e a Índia, por exemplo, como entra nesse verdadeiro colapso? Na verdade, o mundo se transformou num imenso cassino, onde a jogatina impera e, com velocidade incrível, investidores mudam de um mercado para o outro, especulando em bolsas de valores e de mercadorias do mundo todo. Como conseqüência, os preços dos alimentos disparam e a ONU informa que, de 2006 para 2007, aumentou de 850 milhões para 925 milhões o número de pessoas passando fome no mundo. Um absurdo! Isso para não falarmos da recente disparada do preço do petróleo, fruto também da especulação. Assim, vemos essa crise como uma didática no sentido de cobrar dos governos medidas que tragam regras para seus mercados financeiros a fim de que seja evitada essa especulação desenfreada e, ao mesmo tempo, incentive-se o investimento na produção de bens e serviços em prol do conforto e bem-estar de seus povos. Basta vermos os impostos pagos pelos mega-investidores, que são menores, quando comparados com os impostos pagos por aqueles que investem na produção de bens e serviços, para termos a direção a seguir. É certo que, mesmo os bancos centrais, numa ação conjunta, salvem agora e mais à frente tomem medidas que coíbam, pelo menos em parte, a especulação, infelizmente, o mundo continuará assistindo a crises financeiras iguais ou piores enquanto não se atacar de frente a verdadeira causa, que é a ganância, fruto da falta de espiritualidade. Logo, essa crise, antes de ser financeira, é moral, e para saná-la é preciso chacoalhar esses espíritos encarnados que teimam, encarnação após encarnação, em não acordar para a realidade da vida, desconhecendo que estão neste mundo para obter as suas evoluções espirituais, e isso não se obtém, de forma alguma, prejudicando os semelhantes com atitudes que lhes causem prejuízos, dores e sofrimentos. Ao contrário! Por isso, é importante que aqueles que já possuem esse conhecimento da vida o divulguem amplamente e o façam, principalmente, através dos exemplos, que são os que falam mais alto! Boa leitura! (O autor é Presidente em exercício do Racionalismo Cristão) |
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