Castigo, perdão e salvação

Marclei Barbosa Santiago

A dependência psíquica do ser funciona como muleta espiritual

As supremas leis naturais que regulam a evolução dos espíritos são imutáveis, justas, puras e benéficas. Jamais haverá uma situação para que elas possam castigar os espíritos encarnados e também não haverá falhas ou exceções para que aconteçam milagres, salvação e perdão de faltas cometidas. Jamais existirá. As injustiças, as exceções, as falhas, o sofrimento, o arrependimento, os reveses, a salvação, os milagres e o perdão são provenientes, única e exclusivamente, da falta de raciocínio e do desconhecimento da espiritualidade e, se existem, é somente no pensamento, no sentimento, no âmago do ser humano. Isto só ocorre em um mundo-escola como o planeta Terra, mundo das relatividades. No plano Astral Superior as grandezas são absolutas não existindo falhas, injustiças, incertezas e exceções, somente a precisão.

O Racionalismo Cristão nos ensina que ao invés do perdão deve existir a consciência esclarecida do ser que, ao praticar um erro, um crime, deve repará-lo e não o cometer mais. Na sua própria consciência, ele não se desculpa, mas se regenera daquela falta, por iniciativa própria, sem a necessidade do milagre, do perdão e da interferência das Forças Superiores ou de outra entidade superior.

O perdão é um incentivo ao erro e ao delito. Quando se promete o perdão a quem cometeu erro ou crime, faz-se com que ele erre mais vezes. Se quem pretende cometer um crime soubesse que, ao invés do perdão, terá que reencarnar várias vezes enfrentando grandes sofrimentos e reveses, voltaria atrás e deixaria de cometer esse crime. A verdade liberta espíritos. No princípio incomoda, principalmente se os dogmas são muito fortes, mas quando a verdade é compreendida e assimilada liberta os seres e os faz caminhar com segurança e a passos largos rumo à evolução total. Portanto, admitir o perdão como prática racional é negar a própria evolução, e negá-la é desconhecer a verdade.

Diante dos reveses, das dores físicas e dos sofrimentos morais o ser será beneficiado, se – e somente se – tiver autoconfiança, souber ordenar e elevar seus pensamentos vibrando-os em consonância com o Todo e procurando modificar a sua conduta e os seus hábitos para a prática do bem. Ele será beneficiado em primeiro lugar, por ele próprio, devido à aplicação da força do seu pensamento e depois pelas Forças Superiores, que jamais negam suas intuições aos seres encarnados que se colocam em condições de merecê-las, porque, no conjunto, somos todos iguais, temos o mesmo direito à evolução. Uns mais adiantados, na longa caminhada rumo ao modelo da perfeição, e outros ainda no princípio, mas o direito é de todos. Portanto, não é preciso existir nem o milagre, nem o perdão e nem o castigo, pois, se existem as falhas, existem também as maneiras corretas de corrigi-las, de se regenerar e prosseguir com confiança, elevação de pensamentos, dignidade e fronte erguida como age um autêntico racionalista cristão.

As consultas, peditórios, sensibilizações, barganhas, implorações que se caracterizam como confabulações a alguma entidade superior não existem e não encontram espaço para se desenvolver dentro do Racionalismo Cristão e, sim, as irradiações nos momentos exatos, quando se apresentam as vicissitudes que a vida nos impõe, as preocupações, as dores materiais e morais. As irradiações, sim, têm a correspondência do mundo Astral Superior, que não discrimina, neste momento, as aspirações de espíritos que se põem em condições de ser auxiliados.

Não precisa a criatura bajular as Forças Superiores, nem Deus, nem Jesus Cristo, nem santos, nem outras entidades elevadas. Basta ser cumpridor dos seus deveres, trabalhando sempre o seu raciocínio em busca da verdade e sabendo direcionar de forma clara e com convicção os seus pensamentos. Procedendo desta maneira, estará o ser trabalhando para si próprio.

No Astral Superior os espíritos superiores têm consciência do cumprimento das leis naturais, do esclarecimento da verdade, do compartilhamento do conhecimento e da sabedoria excelsa, da demonstração do sentimento de amor e de fraternidade e do trabalho honrado para que os seres encarnados, em evolução no planeta Terra, se esclareçam e também para que o Universo siga a sua evolução na sua trajetória normal e em pleno equilíbrio e harmonia. Esses princípios são exatamente o que o Racionalismo Cristão, em cooperação com o mundo Astral superior, desde a sua implantação na Terra, defende e dissemina a toda humanidade.

Esta Doutrina evolucionista e da verdade respeita e não quer desfazer de religião alguma, pois isso seria contrário aos seus princípios. O que esta Doutrina deseja é orientar e esclarecer a todos os seres que, para serem beneficiados pelo próprio procedimento correto e, diante das dificuldades da vida, ajam de forma honesta com suas consciências e caminhem com as próprias pernas. Estejamos convictos de que não precisamos que ninguém nos dê nada, isto porque podemos conquistar por nós mesmos. Autoconfiança é a palavra de ordem. É isto que o Racionalismo Cristão quer que as criaturas compreendam bem e ponham em prática.

A luz do esclarecimento se faz exatamente no momento em que as Forças Superiores encontram a oportunidade no raciocínio e na consciência esclarecida de cada ser. Isto se dá sem fanatismo, sem misticismo e sem desespero de causa, mas em momento de serenidade, quando o próprio ser busca o esclarecimento. Este existe e é para que toda a humanidade tenha equilíbrio interior e tranquilidade espiritual.

O Astral Superior respeita e não interfere no livre-arbítrio de ninguém, mas o resgate virá para as criaturas que desrespeitam as leis naturais, pois as infrações cometidas jamais terão o perdão de ninguém. Devemos ter consciência de que livre-arbítrio quer dizer liberdade de pensar, sentir e agir, mas com responsabilidade. Como o espírito é inteiramente responsável pelos seus atos, devemos pensar bem antes de praticar o mal, antes da prática de um ato que não esteja de acordo com essas leis sábias, porque o que semeamos é espontâneo, mas a colheita, inapelavelmente, é obrigatória.

É do Mestre Nazareno: “Só a verdade os fará livres”. Essa verdade plena, absoluta é o profundo conhecimento de nós mesmos, do que está a nossa volta e da espiritualidade. Quem estuda e põe em prática os ensinamentos do Racionalismo Cristão não se torna prisioneiro de espíritos obsessores, de misticismos e até mesmo do domínio de pessoas ou ideologias. Marcha, a cada dia, imprimindo um novo ritmo promissor a sua própria evolução, fazendo-se brilhar intensamente, cada vez mais, como um pólo de atração das Forças Superiores, pois, como parcela da Inteligência Universal que é, tem o dever de vibrar e brilhar em uníssono com o Todo.


(O autor é Professor universitário em Belo Horizonte, MG)

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