Células tronco. Benefícios do avanço da ciência genética

Desde a antiguidade o homem vem tentando decifrar a mecânica do universo em miniatura denominado corpo humano. Grandes conhecedores já passaram pelo planeta Terra, encarnados, desencarnados, reencarnados, para dar prosseguimento aos estudos dentro da esfera das ciências médicas. Muito tem evoluído a Medicina, cujo progresso não pára. A cada dia se descobre um novo medicamento, uma nova forma de tratamento de doenças, um novo procedimento para exames, novos equipamentos de alta tecnologia para se viajar dentro do corpo humano através do Doppler e outros mais, para detectar e diagnosticar, por meio de imagens monitoradas, o que precisa ser tratado.

Atualmente, o que vem chamando mais atenção da Medicina são as células-tronco. O corpo humano é formado por mais de 200 tipos de células, e entre elas estão as células-tronco, um dos objetos de estudo da ciência genética que têm atraído a atenção nos últimos tempos. A nova lei brasileira já determina que o uso de embriões para pesquisas está liberada, mas só podem ser utilizados os que estiverem congelados há mais de três anos. E é preciso ter autorização dos genitores para, através de um comitê de ética, a realização de estudos. A lei proíbe a venda de embriões e a clonagem.

A célula-tronco é um tipo de célula que pode se diferenciar e constituir diferentes tecidos no organismo. Esta é uma capacidade especial que não é encontrada nas demais células que, geralmente. só podem fazer parte de um tipo de tecido específico. A outra capacidade das células-tronco é a auto-replicação, ou seja, gerar cópias idênticas de si mesmas.

Devido a essas duas capacidades é que as células-tronco são objeto de intensas pesquisas, hoje em dia, porque poderão, no futuro, funcionar como células substitutas de tecidos lesionados ou doentes, como o caso do Mal de Alzheimer, Parkinson e demais doenças neuromusculares em geral, ou ainda no lugar de células que o próprio organismo deixa de produzir por alguma deficiência, como no caso de diabetes.

As células-tronco são classificadas como:

* Totipotentes ou embrionárias - as que conseguem diferenciar-se em todos os 216 tecidos, inclusive a placenta e anexos embrionários;

* Pluripotentes ou multipotentes - as que conseguem diferenciar-se em quase todos os tecidos humanos menos os acima mencionados;

* Oligopotentes - aquelas que conseguem diferenciar-se em poucos tecidos; e

* Unipotentes - as que conseguem diferenciar-se em um único tecido.

As células-tronco totipotentes e pluripotentes somente são encontradas nos embriões, e são aquelas presentes nas primeiras fases da divisão, quando o embrião tem 16/32 células, com três a quatro dias de vida. As pluripotentes passam a existir quando o embrião atinge a fase de blastocisto, a partir de 32/64 células. Aproximadamente no quinto dia de vida, as células do blastocisto destinam-se a produzir a placenta e membranas embrionárias.

As células-tronco oligopotentes ainda são objeto de pesquisas, mas já se pode dizer que são encontradas no trato intestinal. As células unipotentes estão presentes no tecido cerebral adulto e na próstata.

O que torna a célula-tronco capaz de formar um tecido ou outro é a ordem ou o comando durante o desenvolvimento do embrião humano, que uma célula-tronco pluripotente se diferencie em tecido específico, como fígado, osso, sangue etc., o que ainda é objeto de muitas pesquisas.

As funções das células-tronco no corpo humano são como células curinga, ou seja, que têm a função de ajudar no reparo de uma lesão.

As células da medula óssea, especialmente, têm uma função importante de regenerar o sangue, porque as células sangüíneas se renovam constantemente.

Fala-se em terapias com células-tronco, como a terapia celular para tratar doenças e lesões por meio da substituição de tecidos doentes por células saudáveis, como por exemplo o transplante de medula óssea para tratar pacientes portadores de leucemia. A medula óssea do doador contém células-tronco sangüíneas que vão fabricar novas células sadias. A terapia celular poderá, no futuro, tratar muitas doenças degenerativas, que hoje são incuráveis, provocando a morte prematura; futuramente essa terapia poderá levar as pessoas à longevidade.

As células-tronco adultas são encontradas em vários tecidos, tanto em crianças como em adultos, e também no cordão umbilical e na placenta. Entretanto não se sabe ainda em que tecidos elas são capazes de se diferenciar.

Em estudo recente com células-tronco retiradas da medula e injetadas no coração da própria pessoa, o auto-transplante sugere uma melhora aparente no quadro clínico em portadores de insuficiência cardíaca. Mas a questão é se essas células são capazes de formar tecido cardíaco ou só promover uma neo-vascularização, ou seja, fabricar novos vasos sangüíneos. De qualquer forma, sendo ainda objeto de pesquisa, a maior limitação de uso de células na própria pessoa é que não serviria para portadoras de doenças genéticas, pois o defeito está presente em todas as células daquela pessoa.

Nas células-tronco embrionárias as pesquisas estão sendo feitas nos países que permitem esses estudos. Elas têm o potencial de formar todos os tecidos humanos e podem ser retiradas de embriões excedentes que são descartados em clínicas de fertilização, por não terem qualidade de implantação ou por congelamento em tempo superior ao limite, como também pela técnica de clonagem terapêutica. Os dados acima foram pesquisados nos compêndios da Ciência Genética.

O certo é que o progresso se faz em todas as esferas científicas, e, olhando pelo lado espiritual dos fatos, são grandes intuições que os médicos e cientistas recebem constantemente de mundos superiores, essencialmente para contribuir com grandes valores em termos de auxílio e benefício da humanidade.

Para evoluir o espírito precisa de um corpo sadio, onde possa empreender tudo que almeja para a sua própria construção evolucional na esfera terrena.

As ciências estão aí à disposição de todos que queiram alcançá-las para ter maior compreensão da importância do corpo físico para a evolução do espírito. Tendo esta concepção entenderão que saber viver requer a reflexão dos sentimentos, onde a criatura reconhece que a felicidade existe e então vai ao encontro de uma nova era, rumo a sua trajetória evolutiva.

Lilia Rodrigues Paiva
A autora é Presidente da Filial Belo Horizonte, MG


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