Chega a hora de buscar aceitação

Crescer não é fácil. Significa quebrar a casca do ovo, sair debaixo da "asa" dos pais e se mostrar para o mundo. Uma das tarefas que se impõem nessa fase da vida é ir em busca da aceitação social, da aprovação dos amigos e colegas de escola.

Para que tal aceitação ocorra é necessário que o adolescente se identifique com o grupo. Essa corrida em busca do "sucesso social" é perfeitamente natural, de acordo com especialistas. "Todo ser humano precisa ser aceito, porque ninguém vive isolado", explica a psicóloga carioca Patrícia Ribeiro de Andrade.

Ao mesmo tempo em que a família começa a sair de cena para dar lugar ao crescimento do adolescente é preciso que os pais fiquem atentos, de olho na cria. Isso porque o jovem pode acabar cometendo alguma besteira com a justificativa de ser aceito pelo grupo que escolheu. Pode parecer um paradoxo, mas o nome disso é liberdade vigiada.

Como foi dito no início, o adolescente quer mais é romper com os seus familiares, no sentido de começar a viver sozinho, tomar as suas decisões e ser responsável por elas. Estando em um grupo, vai procurar seguir os amigos no que eles fazem, conhecer os assuntos sobre os quais eles conversam, vai dividir as mesmas opiniões etc.

Essa necessidade de se espelhar no outro já dá as caras na infância, quando o pequeno, mesmo tendo o seu brinquedo, quer brincar com o da outra criança. Isso também é natural.

O problema está no fato de o adolescente ou o jovem não conseguir libertar-se disso, como lembra Patrícia de Andrade. Ou seja, quando ele não consegue andar com as próprias pernas, precisando sempre do amparo do outro. "É um tipo de comportamento que não é saudável para o próprio jovem, não favorece o seu crescimento", diz a psicóloga. É uma atitude que produz adultos malformados. Quantos por aí não vivem sem ouvir a opinião do outro, incapazes de formular a sua própria opinião e, por consequência, tomar as suas decisões?

A educação dada na infância e a presença da família, mesmo "atrás das cortinas", é o que garante que o adolescente não cometa uma besteira só porque o grupo no qual está inserido pensa em fazê-la. "Na hora de fazer a bobagem, o jovem vai pensar nos conselhos dos pais. Aqueles pais que foram carinhosos, presentes e que formaram um vínculo de qualidade com o filho", acredita a psicóloga Patrícia de Andrade.

Por isso, não é preciso descabelar-se com a necessidade que todo indivíduo tem de ser aceito pelo outro. O perigo está em fazer disso a única via para o desenvolvimento pessoal. Leiam, estudem, busquem os seus grupos e o apoio da família. E sigam em frente!

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