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Entenda como se processa a obsessão
Marclei Barbosa Santiago
Obsessão é a ação externa de uma inteligência para influir negativamente
sobre outra. É a atuação ou ação persistente de um agente externo, o
espírito obsessor, sobre outro espírito que se deixa obsedar. Todo o
processo obsessivo é viabilizado, no mínimo, pela via intuitiva, através da
linguagem universal que é a do pensamento. Pensar é atrair. A atração é
estabelecida por meio de sintonia, conexão com outras inteligências que, se
persistir, poderá acarretar um quadro de perturbação ou obsessão, que se
apresentará de forma branda ou violenta.
Vivemos mergulhados num oceano de vibrações de pensamentos, positivos e
negativos, com modulações as mais diversas possíveis. Dentro desse oceano de
vibrações cada um de nós faz naturalmente a sua sintonia e vibra num
determinado padrão. Esse padrão vai automaticamente sintonizar com outro
equivalente, de igual polaridade. Se as vibrações são positivas, um espírito
vitaliza o outro espírito. Se as vibrações são negativas e repetitivas,
podem ocasionar, paulatinamente, um processo obsessivo.
Tudo começa tendo o próprio ser como o responsável principal, pois é quem
cria e dá vida aos pensamentos de baixas vibrações, alimentando-os e
irradiando-os num primeiro momento. Procedendo continuamente com essa
maneira de pensar, pouco a pouco, suas vibrações vão ficando conhecidas de
outros espíritos e se casam com as vibrações desses que são os agentes
externos. Neste caso passa a acontecer uma sintonia de vibrações, uma
reciprocidade na forma de pensar entre o emissor e o receptor, gerando
coparticipação, uma verdadeira e intensa troca de baixas vibrações entre o
ser que se deixa obsedar e o obsessor, possibilitando, assim, o segundo
momento, que se denomina obsessão. Portanto, no início ainda não existe a
figura do agente externo, o obsessor, pois este só aparece num segundo
momento, como corresponsável no processo, quando se instala de vez a
obsessão, passando a prestar assessoria ao obsedado.
A sintonia estabelecida, permanentemente, por meio da reciprocidade de
vibrações do pensamento, permite ao espírito obsessor identificar os
sentimentos, aptidões, intenções e tendências do obsedado através da
leitura, mapeamento e análise do conteúdo que seus pensamentos carregam. A
leitura e análise são feitas pelo espírito obsessor, enquanto durar a
obsessão. O obsessor fica sabedor de todas as suas possibilidades para
estabelecer uma comunicação eficiente com seu alvo. Como o pensamento
precede toda ação, o obsessor monta sua estratégia de ataque, criando em
pensamento a ação que pretende executar. No mínimo esta ação será
possibilitada através da modalidade mediúnica intuitiva, por ser inata em
todos os seres, ou em outras modalidades mediúnicas conhecidas neste mundo,
como a vidente, a auditiva, a olfativa, a de incorporação, a psicográfica,
e, ainda, em qualquer forma possível de ser sentida e compreendida pelo
receptor, o obsedado, para estabelecer a comunicação pretendida.
Obsessão é um fenômeno psíquico comum e ocorre com frequência muito maior do
que as criaturas imaginam e compreendem. Através do mau hábito da repetição
contínua de pensamentos, sentimentos e ações negativas é que se criam as
obsessões. As baixas vibrações podem criar distúrbios psíquicos se intensas
e repetitivas, pois essas, quando acionadas, sugam a energia anímica vital
do espírito que se deixa obsedar. São vários os caminhos que levam à
obsessão, perturbação psíquica causada pelo mau uso do raciocínio, do
livre-arbítrio e pela vontade mal educada.
Sinais depreciativos de si mesma ocorrem quando a criatura se
autodesvaloriza, ela não tem uma autoimagem positiva, ao contrário, tem uma
imagem altamente negativa. O pessimismo e a baixa autoestima estão sempre
presentes em seus pensamentos. Sinais depreciativos das outras pessoas
ocorrem quando se irradia e pratica repetidas vezes desrespeito,
perversidade, ódio, desonestidade, inveja, vingança, malquerença,
perseguição descabida, submissão, provocação de discussões, implicância e
tantos outros sinais indicativos de fraquezas e vícios, como desregramentos
de qualquer natureza, descontrole nos atos cotidianos, nervosismo
irrefreável, desejos insuperáveis, ambição desmedida e temperamento
voluntarioso.
Esses tipos de sinais indicam estar o ser a caminho ou mergulhado num
processo de obsessão. A janela está aberta para criar um transtorno
depressivo, ou um transtorno de perseguição, ou uma fobia, ou um transtorno
obsessivo compulsivo (TOC), ou qualquer das chamadas síndromes modernas. A
criatura pinta um quadro em que o seu emocional desorganizado,
desestabilizado, desequilibrado vai objetivamente resultar em uma
enfermidade psíquica e até mesmo física consumada.
DESOBSESSÃO. A desobsessão é um processo que tende a fazer com que o
obsedado possa cortar os laços que o prendem, o escravizam aos espíritos
obsessores, pois as vibrações harmônicas geradas entre os obsessores e o
obsedado ajustam-se, encaixam-se e completam-se tão fortemente umas nas
outras que se torna difícil a separação da conexão que as mantém unidas.
Para se libertar da obsessão é indispensável acontecer a mudança do enfoque
dos pensamentos do obsedado por iniciativa própria, direcionando-os, sempre,
para a prática do bem. Basta o obsedado abandonar os vícios, passar a emitir
pensamentos honrados, valorosos e dignos, submetendo todos os seus atos a
uma severa disciplina e varrendo da mente tudo que for enfermiço. Precisa
compreender que ele próprio é o agente responsável principal desse processo
obsessivo e a ele cabe a reação e o esforço maior para a remodelação de seus
pensamentos, sentimentos e atitudes para a prevenção e a cura definitiva da
obsessão. É como se dissesse: o doente, que é o obsedado, é o responsável
principal pela sua própria cura. A partir da mudança de postura e com a
consciência esclarecida o ser demonstra que compreendeu e está aberto ao
processo desobsessivo.
Parte da humanidade é vítima da obsessão, exatamente por desconhecer os
recursos que tem ao seu alcance para evitá-la ou livrar-se dela. Em razão
desse desconhecimento, empenha-se a doutrina racionalista cristã em oferecer
aos seres orientação segura para uma vida sadia e evolutiva através do seu
arcabouço teórico e prático de conhecimentos.
Nesse arcabouço estão contidos os recursos necessários para quem está
passando por esses transtornos obsessivos, disponibilizando a todas as
criaturas os conhecimentos, as orientações e prescrições para a prevenção e
a cura completa da obsessão. Fornece-nos o antídoto para a obsessão, que é o
estudo e o esclarecimento sobre a vida espiritual e para se ter a
consciência do valor das poderosas forças que são o pensamento e a vontade
para manter à distância os obsessores.
O Racionalismo Cristão há 101 anos esclarece que educar e disciplinar o
pensamento é o primeiro passo para a remodelação interior, o aperfeiçoamento
individual e o aprimoramento da inteligência e do caráter. Ensina que não
são os obsessores que impedem o caminhar rumo à conquista e desenvolvimento
da espiritualidade, da intelectualidade e do progresso, mas o próprio
indivíduo, quando procede mal. Quem trilha o caminho honrado da virtude e do
dever mantém sempre a grande distância os obsessores, que só podem
influenciar, e efetivamente influenciam, pessoas que pensam e procedam mal.
(O autor é professor universitário, em Belo Horizonte)
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