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Conhece-te a ti mesmo Oscar de
Menezes
(Publicado em 15 de janeiro de 1956)
Cada criatura tem um papel a desempenhar no cenário da vida. Mas desempenhar
este papel sem fugir às normas do bom senso não é tão fácil como parece à
primeira vista, porque nossos atos devem ser pautados dentro de uma conduta
reta e serena, que exige, sem dúvida, isenção de ânimo e reflexão.
A mente humana conturbada não tem serenidade suficiente, que a capacite ver
com clareza os pontos principais em que devem ser colocadas as coisas que
lhe dizem respeito. A falta de conhecimento exato de si mesma e a ação de
outrem em idênticas condições podem, por vezes, levá-la à irreflexão,
sobretudo para quem desconhece a sua própria essência e não tem domínio
sobre si mesmo.
A ação impulsionadora da mente equilibrada não se inspira em fatos cuja
demonstração não seja real nem positiva, porque, antes de tudo, analisa
friamente os fatos e as consequências presentes ou remotas, não se deixando
perder em considerações improvisadas e injustas. Quem age sem convicção do
que faz desconhece a razão e envereda pelo caminho da imprudência.
Se o raciocínio deve ser a força predominante no ser humano, a solução de
qualquer problema há que prevalecer sob formas e métodos que não fujam às
leis da reflexão. Mas, o que acontece, na maioria das vezes, é que os
problemas são analisados só por um lado, sob um ângulo que não permite que
seja encontrada a verdadeira solução. Na solução de problemas, há soluções
falsas e verdadeiras. Distinguir, umas das outras é que não é fácil,
exatamente porque vemos as coisas quase sempre pelo prisma do interesse que
desejamos, sem visarmos à solução real.
O erro é do ser humano, enquanto houver
imperfeição. Daí a necessidade de estudar os problemas com visão e
perspicácia, para que não tenhamos desilusões futuras.
Do conhecimento das coisas, do conhecimento dos seres humanos que nos
rodeiam, podemos apreender suas intenções, as mais acobertadas, desde que
analisemos conscientemente tudo que nos é dado perceber. Para tanto
precisamos ter qualidades mentais receptivas, boa intenção nos nossos
objetivos, tolerância e bons sentimentos. A retidão de caráter deve ser
acompanhada de outras qualidades adicionais do espírito, responsáveis pelos
nossos êxitos ou fracassos durante a nossa vida, e do desempenho do papel
que cabe a cada um.
Viver desconhecendo as verdades fundamentais da vida, relativas ao homem e
ao espírito, é caminhar às tontas e resolver de qualquer forma os problemas,
mesmo que a solução não corresponda à exatidão do objetivo que desejamos
alcançar.
Nunca é demais aprender, raciocinando antes de agir, para que o resultado
das nossas ações traga proveito ao bem comum e à nossa própria evolução
espiritual.
Conhece-te a ti mesmo!
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