Consciência das vidas material e espiritual

Martinho de Mello Andrade

À medida que o homem, como gênero humano, se esclarece sobre o conhecimento das duas vidas, material e espiritual, vai-se tornando cada vez mais responsável por seus atos e mais exigente para consigo próprio, fazendo o que deve fazer e não fazendo o que não deve fazer, pois, antes de atuar por palavra ou ação, pensa nas conseqüências que poderá produzir essa premeditação.

Por esse andar diminui o acervo dos seus erros, e, como não é perfeito, porque na Terra não há perfeição, cada vez que comete um erro involuntário pára, reflete, corrige-o. Porém, como ser humano, poderá cometer outros; os mesmos, não. O espírito tem luz, mas para brilhar terá que ser limpo de toda mazela, até ficar qual diamante, completamente livre da ganga.

O planeta Terra está assolado de poderosos agentes da escuridão coletiva e de consciência negra de egoísmo, os quais só poderão ser freados ou erradicados por uma mudança de mentalidade espiritualizada, movida pela ação firme e conseqüente dos racionalistas cristãos convictos e das pessoas de bem, de espírito solidário. Para isso o mal terá que ser combatido sem tréguas, a fim de neutralizar os malfeitores de suas ações desastrosas. O bem triunfará sempre.

O ser humano pertence a uma única comunidade em essência – como partícula da mesma fonte de origem, que se desdobra em sucessivas reencarnações, até ficar livre de todas as mazelas, após o quê ascende a seu mundo de Luz, em conformidade com seu grau evolutivo, porquanto a Terra, como cadinho depurador de almas e mundo escola, é um meio, fugaz e transitório, e não um fim. Deste modo, os bens terrenos servem apenas aos seres encarnados como suporte; uma vez livres da matéria, já não precisam deles para nada: são da Terra e na Terra ficam.

Quando o ser esclarecido desencarna, seu espírito ascende ao seu mundo de origem, pois está visto que a Terra não é morada permanente de nenhum espírito desencarnado. O corpo inerte precisa apenas de picareta, pá, enxada e de alguns palmos de terra, onde se vai transformar em outras substâncias, nesse laboratório terreno.

Com o conhecimento da Lei de Causa e Efeito ou Lei de Compensação Universal, em que cada ação é complementada por sua reação, o ser humano esclarecido deverá praticar bons atos para que possa ter sempre a consciência tranqüila, limpa e leve. Tem consciência do que faz e sabe para onde vai. Procura sempre o equilíbrio, pondo em prática os princípios da Doutrina. Sabe que ser racionalista não quer dizer que não venha a resgatar os erros cometidos. Cada um paga o que deve, seja rei ou escravo. As leis são comuns, naturais e imutáveis. Nessa linha de idéias, não há seres privilegiados no Racionalismo Cristão. No Astral Superior, não há discriminação. Todos são alunos na trajetória evolutiva: uns mais adiantados, outros menos, com um único objetivo: ganhar a evolução.

(O autor é Militante em Mindelo - Cabo Verde)


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