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Convívio do idoso com adolescentes
Thereza Freire Vieira
Nem sempre é fácil a convivência com os filhos, com os netos. Em cada cabeça
uma sentença. Um adolescente não poderia ter os mesmos pensamentos, as
mesmas ideias que uma pessoa de 60 e outra de 30 ou de 40 anos.
A maioria das pessoas acha que deve ter a sua própria experiência, não
aceitando a experiência dos mais velhos. Ninguém pode impor os seus
conhecimentos, a sua experiência para os mais novos. Eles apenas poderão
achar que a vida deles é outra, que os pais e os avós são quadrados, estão
por fora, não têm capacidade para compreender os problemas atuais. São
retrógrados.
Às vezes, aceitando, procurando compreender, sem impor as ideias que eles
acham ultrapassadas, os avós conseguem muito mais com os jovens do que os
pais. Têm mais tempo e mais paciência para ajudá-los, ouvir-lhes as dúvidas,
fazer-lhes companhia, e aos poucos eles vão aceitando e os ajudamos a
encontrar o caminho certo.
DISPONIBILIDADE. O idoso tem mais tempo, mais calma para ouvir e para
entender. Os pais estão com o tempo tomado pelo trabalho, pelos filhos mais
novos, pela vida social, cansados, impacientes, sobrecarregados,
principalmente a mãe, que trabalha fora e ainda tem as obrigações da casa,
dos filhos e do marido.
Os filhos muitas vezes sentem-se incompreendidos, acham que não são aceitos
pelos pais, que nunca lhe dão atenção, nunca têm tempo para eles e pode ser
que os avós sejam mais adequados para ouvir e compreender o que se passa
nessas cabeças jovens e fazê-los aceitar que os pais estão ocupados com suas
atividades profissionais, mas que amam a todos. Os pais se dedicam mais aos
filhos menores porque estes são mais dependentes.
ENTENDIMENTO. Os idosos, mantendo um bom relacionamento com os jovens,
estarão preparando melhor entendimento futuro para eles próprios. O bom
entendimento dos idosos com os jovens estará preparando um ambiente pacífico
no futuro.
Devem ser utilizados todos os conhecimentos que se adquiriram numa vida
inteira para que possamos viver e compreender todos os que vivem ao nosso
redor e sempre conseguir viver em paz, em uma vida melhor para todos.
(A autora é médica geriatra)
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