Crises atuais

Humberto Machado Rodrigues

A Razão publicava em 15 de janeiro de 1955

Num simples relance pelas principais ocorrências de nossos dias, e nas de âmbito internacional, quer em fatos desenrolados em nosso País, observamos insegurança, intranqüilidade, e notamos crises e mais crises!

Crise de caráter! Crise de alimentos! Crises políticas! Crises econômicas...

Sentimos a carência do que seja digno e necessário, em contraste flagrante com a abundância de misérias morais e materiais.

A que podemos atribuir tantos desvarios, tantos descalabros no mundo atual? Eis uma pergunta que dá ensejo às mais variadas considerações.

Não é necessário possuir-se espírito arguto para se chegar à conclusão de que tais crises têm inúmeras causas, podendo-se ressaltar, dentre elas, a falta de tino administrativo dos últimos governantes, mormente os do nosso povo, alguns deles bem intencionados, mas incapazes para debelar esses males. Tais governantes deixam-se envolver nas teias perturbadoras das desordens político-sociais e econômicas, incapazes de fazer cumprir medidas enérgicas, e, por que não dizer, drásticas! Mesmo porque para grandes males, grandes remédios!

Mas, infelizmente, não encontramos, salvo raras exceções, homens dispostos a tais deliberações.

O momento em que um chefe de nação sobe ao poder é mais um motivo de esperanças para um povo cansado de sofrer, cético, desanimado. Daí observar-se um desalentador índice de abstenções nas últimas eleições realizadas, traduzindo a descrença desse povo em seus dirigentes.

No entanto, será a abstenção do voto uma solução?

O eleitor que pensa sensatamente, que encara a situação do seu País com ponderação, não poderá chegar a esta conclusão. É uma atitude que representa a represália de um cidadão justamente revoltado com seus ineptos dirigentes, mas não é, nunca, uma solução plausível para o bem-estar geral da Nação.

Chegamos facilmente à conclusão de que nosso eleitorado ainda não possui a necessária maturidade cívica para sabiamente escolher os homens destinados à administração do país.

Que lições admiráveis nos dão os Estados Unidos e a Inglaterra, no que concerne à verdadeira democracia e maturidade política de que tanto necessita o nosso eleitorado! Sentimos com grande nitidez, serem dois grandes povos, possuidores de suficiente esclarecimento político, para acertadamente escolherem os seus governantes, razão pela qual todos são acordes em afirmar que, especialmente os EUA, têm sido felicíssimos com seus presidentes!

Para grande lástima dos verdadeiros brasileiros, o mesmo não ocorre no nosso Brasil. Que fazer, perante a veemência desses fatos?

Os que são patriotas sinceros, os que sentem no íntimo a ânsia de ver um Brasil forte e progressista, que se mantenham na posição de alerta, sempre aptos a enfrentar qualquer situação, por mais turva que se afigure, porque para os caracteres fortes não há crise sem solução!

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