Decadência institucional
Vai-se extinguindo a intransigência dos tempos do crê ou morre
Antonio Cristovam Monteiro
Por instinto de conservação, a primeira lei da natureza, o gênero humano torna-se gregário, organizando-se primitivamente em bandos, tribos; hoje, modernizado, em comunidades integrantes das cidades. Daí, pela harmonia de interesses comuns, pode evoluir para potentados de natureza diversificada, como industriais, comerciais, estendendo-se também à religiosidade. Precisamente na esfera da religiosidade é que mais se tem manifestado a maior diversidade decadencial. Exemplificando, temos, através dos tempos, o catolicismo, o evangelismo, a magia negra e tantos outros credos.
O catolicismo estabeleceu domínio secular, centralizado em Estado, incrustado em território italiano na histórica cidade de Roma, estendendo-se principalmente às nações da latinidade, com uma hierarquia administrativamente bem estruturada, sobressaindo o Brasil como um dos maiores redutos católicos do mundo.
Com Lutero, célebre monge católico alemão, operou-se a dissidência, cujos seguidores, com o passar dos tempos, aumentaram de tal modo até chegar a essa imensa legião dos nossos dias, conhecidos como evangélicos, que vêm seriamente debilitando as hostes católicas, muito embora a fonte doutrinária seja a mesma, a Bíblia, com modificações interpretativas acentuadamente nas práticas litúrgicas.
A sustentação financeira é idêntica, pelas arrecadações obrigatórias do dízimo e, esporadicamente, pelas doações. Sobreveio, com o decurso do tempo, com a massificação populacional, o gigantismo institucional. No mundo católico, antes, o Vaticano podia controlar as contribuições financeiras que lhe eram remetidas pela arrecadação paroquial, todavia essa fonte de renda foi gradativamente minguando pela divergência surgida entre o poder clerical e as irmandades das paróquias, acabando por prevalecer o domínio destas, que passaram ao controle exclusivo dos bens patrimoniais, afastando a interferência da Igreja.
Nos domínios evangélicos aconteceu o mesmo fenômeno da dispersão, porém de modo um tanto diferente, porque nunca conseguiram organizar-se administrativamente no âmbito internacional, como os católicos. Tal tem sido a abundância numérica dos pastores que foram desligando-se de alguns de seus líderes que manifestaram criar uma hierarquia à maneira dos católicos – diáconos, pastores, ministros e bispos.
Chegou-se ao ponto de qualquer cidadão, ainda que rudimentarmente alfabetizado, arvorar-se em pastor. Basta-lhe ler e entender alguma coisa da Bíblia; o resto, um pouco de desenvoltura cênica. E vai, por conta própria, instalando-se até em dependências residenciais, fugindo, ao que parece, pela abundância numérica, ao controle de certas organizações fortes hierarquicamente dominantes.
A magia negra é dispersiva, entranhada tradicionalmente em nossa primitiva formação social, desde as tribos indígenas e o numeroso contingente de escravos para aqui trazidos por nossos iniciantes colonizadores.
Outras seitas religiosas do Oriente, por sinal milenares, aqui se fazem presentes por seus adeptos, felizmente, por ora, sem aqueles ímpetos irracionais terroristas tão imbecis, pois praticados até entre eles.
Comum é constatarem-se cerimônias religiosas de que participam representantes de todas as seitas, a que se convencionou chamar culto ecumênico. Não deixa de ser um avanço harmonioso, uma convivência pacífica nos meios sectários. Vai-se extinguindo definitivamente a temível intransigência religiosa de velhos tempos do crê ou morre.
A tantos que ousassem renegar a crendice o destino certo de execução inquisitorial, dentre outros, era a bárbara fogueira. Contudo, esse caldeirão de místicos ingredientes, com todo nosso respeito às pessoas, o Racionalismo Cristão, com a chama escaldante esclarecedora dos seus sábios e imutáveis princípios doutrinários, há de depurar desse obscurantismo religioso, como até aqui vem fazendo.
O Racionalismo Cristão vem trazendo a quantos a isso se proponham conhecimento da importância, do valor da reencarnação, a oportunidade para galgar mais um degrau em busca da evolução espiritual.
Por isso mesmo caminhamos ao largo, imunes a todas essas investidas desagregacionistas, que já as tivemos, certos e convictos de que, pelas efluviações benéficas das forças do Astral Superior, jamais, em tempo algum, poderá ser comprometida nossa sólida e imutável estabilidade institucional, trazendo sempre nossos satélites, que são as nossas Casas Racionalistas Cristãs, Filiais e Correspondentes, prolongamento que são da nossa Casa-Chefe, internacionalmente implantadas, gravitando, coesas e solidamente, na órbita da nossa Casa-Chefe.
O que sempre foi e continuará a ser, no Plano Astral Superior, o supremo desígnio, a obstinação férrea do nosso mestre, mestre dos mestres, Luiz de Mattos, e de seu fiel seguidor Antonio Cottas, e todos os demais colaboradores, bem como aqui, no mundo Terra, de todos aqueles que, no bom sentido, orgulham-se de ser racionalistas cristãos.
(O autor é Consultor jurídico da Casa-Chefe)
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