Derrame pleural

Robinson Botelho de Faria

O derrame pleural é o que, em medicina, chamamos de síndrome, ou seja, um conjunto de sinais e sintomas que caracterizam um estado de doença e que pode ser produzido por várias causas. É conhecido popularmente como água na pleura ou água no pulmão. A pleura é uma membrana serosa que envolve os pulmões. Ela dobra-se sobre si mesma na área dos hilos pulmonares (região de entrada dos brônquios, por onde se respira) e com isso forma uma capa dupla, uma parte em contato íntimo com o pulmão e a outra em contato íntimo com a parede torácica. Entre essas duas capas existe uma pequena quantidade de líquido seroso, que funciona como uma película lubrificante, permitindo deslizamento fácil durante os movimentos respiratórios. Em uma pessoa saudável, esse líquido nem é notado, por causa do equilíbrio entre absorção e secreção dos capilares e vasos linfáticos pleurais. Em alguns estados da doença, esse equilíbrio é rompido e temos grande acúmulo de líquido no espaço pleural (até alguns litros), isto porque o pulmão, que tem uma textura como se fosse uma esponja, pode ser comprimido até ficar do tamanho de uma mão fechada.

 Podemos encontrar quatro tipos de derrame pleural:

1) o que armazena um líquido seroso amarelado, como na tuberculose e na insuficiência cardíaca;

2) hemotórax, que contém sangue, como no caso de traumatismo e de câncer avançado;

3) empiema, que é o acúmulo de pus, como no caso de pneumonias graves, e até na tuberculose;

4) quilotórax: líquido leitoso, com alto teor de lipídeos, provocado pela ruptura ou obstrução do canal torácico. O quilo é um líquido a que se reduzem os alimentos nos intestinos, na última fase da digestão. Deve ser corrigido cirurgicamente esse vazamento do quilo. Quando produzido por um tumor chamado linfoma, às vezes cessa com radioterapia.

Outras doenças que causam derrame pleural são cirrose, pancreatite, lupus, artrite reumatóide, algumas doenças renais, tromboembolismo, pulmonar, raros casos de infarto do miocárdio, febre reumática.

Clinicamente, observamos dor torácica, principalmente à inspiração profunda, tosse, falta de ar, diminuição do ruído pulmonar ao estetoscópio. Pode haver febre e grande queda do estado geral no caso de empiemas. RX é o exame mais prático para avaliação, e são necessários no mínimo 300 ml para sua observação.

Realizamos uma punção com agulha para retirada de líquido, e o enviamos a laboratório para diagnóstico. É correto também realizar biópsia pleural com agulha específica (retira-se um pedacinho da pleura). Conhecida a causa do derrame pleural, iniciamos o tratamento para a doença específica e aguardamos a remissão do derrame.

Em caso de empiema é necessária drenagem do pus cirurgicamente, e o paciente fica com o dreno por vários dias (espécie de mangueira de jardim colocada no tórax). Nos derrames por câncer, que se refazem rapidamente, também é necessária drenagem, e é introduzida pelo dreno uma substância que provoca a junção das duas capas pleurais, impedindo a formação de novo derrame e possibilitando respiração normal. Cirurgias mais complexas serão necessárias em alguns tipos mais complicados de derrame pleural.

(Robinson Botelho de Faria é cirurgião torácico
do
Hospital Souza Aguiar)
 

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