Desastres naturais

O noticiário anda assustador. Liga-se a televisão e depara-se com tragédias, terremotos, furacões, o tempo parece estar descontrolado, faz frio e chove na primavera, calor no inverno, e as pessoas começam a se perguntar o que está acontecendo – será um castigo dos céus, como em Sodoma e em Gomorra?

A cidade de New Orleans é famosa pela vida agitada. Tudo tem sua explicação natural: castigos divinos não existem; leis naturais, sim! Um documentário no Canal Discovery sobre a tragédia histórica mostrou que Sodoma e Gomorra estavam situadas próximo a um vulcão adormecido que expeliu gases que se acumularam na atmosfera e provocaram uma poeira capaz de queimar as pessoas que se encontravam nas proximidades.

Um homem estudou tudo isso e está documentado, mas alguém sabe disso? Poucos, mas o mito das cidades destruídas pelo "pecado" todos sabem, foi bem divulgado pelos livros sagrados que, infelizmente, só contêm os sinais da enorme ignorância humana. Piores que tudo ali divulgado estão os seres que alimentam essa ilusão.

O mesmo acontece com os escritos de Nostradamus. Por que a interpretação de seus escritos só ocorre depois das tragédias? Por que as quadras não podem servir de aviso e evitar os acontecimentos, já que dizem ter sido ele um grande visionário e tudo ter previsto?

Provavelmente não passava de um médium avassalado, mas a humanidade adora um mistério. Aqueles que se apóiam no sagrado atribuem aos deuses o que do homem depende. O aquecimento da Terra causado pelo crescimento desregrado, os altos poluentes jogados na natureza, o progresso a todo custo, esse grande desenvolvimento tecnológico do século XX sem a devida preocupação com o lado imaterial vêm causando tudo isso. Agora a natureza está reclamando e nem toda capacidade dos países mais desenvolvidos pode com esta força.

Assim acontece também na vida dos seres humanos: vive-se exclusivamente para a matéria, para o acúmulo de bens, para o progresso, mas esquece-se que tudo isso está apenas emprestado a cada um para esta vida, que só se poderá levar aquilo conseguido através do esforço individual para alcançar a luz da qual somos todos partículas.

Vencer o animal interior, vencer os desejos incontrolados, buscar o autodomínio quando tudo leva ao erro – aí, sim, o espírito evoluirá e alcançará o misterioso, que de mistério nada tem e de difícil também não. Só é necessário ter força de vontade e livre-arbítrio voltado para o bem.

Os seres humanos são voluntariosos e egoístas, pensam exclusivamente em si; nas crises, enclausuram-se e olham apenas para suas dores, esquecem das dores alheias mesmo que estas sejam de pessoas com quem tanto se importavam. Passada a crise, querem de volta o que desprezaram. Ah, se tudo fosse tão fácil!

Não é assim que a vida funciona. Quando se erra é preciso sofrer pelo erro cometido, e como uma tormenta natural vem a enchente, inunda o coração de angústia e aflição, o remorso incomoda, tira o sono. As perdas vão criar dois tipos de indivíduos: os revoltados, que novamente atribuirão aos astros seus infortúnios, e os resignados, que compreenderão seus erros e tudo farão para não mais cair. Desse esclarecimento virá a evolução, e um ciclo será encerrado, outro ciclo deverá começar e mais sábio este indivíduo poderá sair-se melhor, a isto dá-se o nome de experiência de vida.

O racionalista cristão estuda, observa e procura aprender com seus erros e com os erros alheios, às vezes passa por situações até hilárias quando é confundido com um ser capaz de causar o bem ou o mal a quem o fere, porque mesmo sendo agredido rebate com comentários calmos e procura mostrar a razão ao seu oponente, com o poder de controlar-se sem envolver-se com intuições inferiores causa espanto, como se tivesse um contato íntimo com o além. Na realidade tem mesmo, tem o conhecimento científico "além" da ignorância mística.

Heloisa Ferreira da Costa


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