![]() |
![]() |
|
Desencarnação, fenômeno natural
Martinho de Melo Andrade Há quem diga que a morte é um sono eterno – nada mais absurdo. A morte, ou melhor, a desencarnação, é o preâmbulo de uma nova vida. Quando os olhos físicos se fecham, simultaneamente, os espirituais se abrem para essa nova vida, num horizonte de luz imensurável em que todos os atributos integram o espírito; enquanto preso no envoltório físico, lhe eram facultados apenas alguns, necessários à sua vivência na Terra. Não há que temer a morte, convenhamos que ela é um fenômeno natural a que todo ser vivo está sujeito – para o seu próprio bem, imprescindível à sua evolução. Trata-se de uma renovação e retorno cíclico em que o espírito, por impulso natural da evolução, deixa o seu veículo carnal, que, pela idade ou doença, por vezes está com engrenagens gastas e com os órgãos fatigados e exaustos, portanto, incapaz de prosseguir o seu trabalho. Nestas circunstâncias, o espírito, qual cavaleiro, vê-se obrigado a deixá-lo e a ascender ao seu mundo, onde fica aguardando uma oportunidade para voltar ao planeta Terra, a fim de preparar novo veículo que o acompanhará durante a vida terrena, visando ao seu aperfeiçoamento e, depois de expurgadas todas as mazelas, desferir vôo aos rútilos mundos, donde jamais retornará à Terra, a não ser para missões especiais de esclarecimento à humanidade. O berço e a sepultura são elementos complementares à evolução do espírito; ambos são pródromos de uma nova vida: o primeiro dá início a uma vida terrena que lhe oferece oportunidade para resgatar erros cometidos nas vidas anteriores; o segundo abre-lhe as portas a novos horizontes no seu mundo de luz, onde será juiz dos seus próprios atos – juiz verdadeiro e imparcial, julgando-se dentro da razão e da justiça, sem paixões nem preferências – perante os predicados exarados no seu quadro fluídico ou livro da vida, onde estão registrados com fidelidade todos os seus atos, pensamentos e sentimentos desde os primórdios da sua existência. Eis a razão por que se deve dar toda atenção aos estudos do esclarecimento espiritual, lendo e refletindo sobre a matéria inserta nos livros essenciais editados pela Casa-Chefe, que são o Racionalismo Cristão e a Vida Fora da Matéria, entre outros, postos em prática pelo Racionalismo Cristão, em que as duas vidas, material e espiritual em paralelo, são as premissas que conduzirão à conclusões desejáveis e certas. A criatura esclarecida não faz mal a ninguém, nem tem inimigos, porque sabe contornar as circunstâncias, sabe refletir sobre os seus atos, sabe irradiar-se a si mesma e aos que lhe são desafetos. Fazendo isso está afastando toxinas e miasmas que estes cultivam, está afastando as causas maléficas e, assim, nulificando os efeitos. O ódio, o rancor, a cobiça, a vingança, entre outros, são venenos dos mais letais para a humanidade. Eis que a criatura deve praticar o bem sem ver a quem, como nos ensina o Mestre dos Mestres, Luiz de Mattos, para, quando do desenlace, após as prestações das contas, ter a consciência tranqüila de que cumpriu com os seus deveres. A morte se assemelha a rútila borboleta ao liberar-se do casulo.
|
|